sexta-feira, 20 de março de 2026

Fluxo de pensamento - Acho que 2

 Os últimos textos foram tão bons que acho que sou incapaz de escrever algo assim novamente e o nome desse daqui será: Fluxo de pensamento.

É fato, conhecido, que a tristeza é sim grande amiga da arte, mas ela já não é mais assim tão presente em minha vida, e como consequência disso meu QI vai cair em uns 30 pontos ao voltar a ser a pessoa que normalmente sou.

Ao subir as escadas, seguro meu vestido longo enquanto minhas chaves fazem um barulho descontrolado por todo meu caminho até meu apartamento. 

O Sol da manhã invade todo o lugar e quando anoitece eu vejo janelas iluminadas. Elas ficam longe o bastante para eu não me sentir invadida e perto o bastante para eu não me sentir tão sozinha.

É engraçado que pode parecer triste quando digo  "não me sentir tão sozinha"

Está com dó de que? 

Eu não queria mesmo ninguém aqui, afinal, tem muita gente no mundo, não? Se eu quisesse seria fácil de resolver, mas eu não quero, no entanto, também não quero olhar pela janela e ver apenas as estrelas.

Talvez eu tenha mudado. Talvez tudo tenha mudado.

Ver as janelinhas iluminadas me faz refletir sobre o quão vasto é o mundo e o quão boba sou. O quanto tenho ainda a aprender e o quão generosa a vida é comigo quando subo as escadas ouvindo o tilintar das chaves e vendo o brilho das janelas. 

Sentindo o aroma do café enquanto abro a casa toda para que aquele vento que ouço uivar o dia todo possa chegar mais perto de mim e por mim passar. 

A felicidade é, afinal, rasa..

Se você não consegue rir de algumas banalidades da vida talvez algo já esteja morto em você. 

A vida acontece assim: Aquele cliente chato que consegue despertar em você um tipo de raiva que você não sabia que existia, é perder aquele objeto importante e gastar horas procurando, é a ansiedade em comprar um guarda roupa novo e sentir o cheiro de madeira transpassando a embalagem. Tem dias que nossa casa cheira café, em outros a comida que foi preparada no dia anterior, as vezes o cheiro das rosas que na mesa estão, as vezes cheira flores mortas e delas me livro com pequena tristeza. 

As vezes o copo de água vira na mesa, mas graças a Deus que não queimou meu teclado e Sexta passada foi minha primeira vez usando batom vermelho após longos meses. E eu fiquei linda, mais do que lembrava. 

Há algums semanas estourei a corda do violão do pai da minha amiga e ele tirou um jogo de cordas novo de dentro do violão e me disse:

-A gente faz assim, Marina.

E com ele aprendi.

Foi a mizinha, obviamente. Sempre é. 

E teve dias onde me abracei aos livros e implorei a meu pai quue não tirasse do armário dele porque um dia eu guardaria em uma estante minha, e hoje desses mesmos livros me despeço.

É comer o queimadinho do bolo e achar crocante e um grande acerto e de repente chegar na parte amarga, mas eu amo "crocante".

Uma vez uma amiga me disse:

-O crocante é tão crocante que deveria ser crocrante. 

Assertiva ela, não? 

O que você espera da vida, afinal? Qual é o grande acontecimento que você espera? Você vai ser mesmo miseravelmente duro e insensível para ter em gotas contadas sua felicidade? Dane-se se bateram em seu carro. Você está bem? logo você nem estará mais aqui.

Talvez hoje a vida tenha te reservado a água quente escorrendo por seu corpo em um banho longo, talvez ela tenha reservado a chance de ouvir a voz daqueles que você ama ou uma brincadeira besta que te faz rir até quase fazer xixi nas calças com sua barriga doendo e você implorando para parar. 

Talvez a vida hoje tenha te reservado a água gelada depois de uma corrida, 

Eu que sou intensa demais? ou vocês que estão loucos esperando a vida chegar enquanto ela por ti já passa e passa e passa e você espera e espera e meu bem, espera o que?

Sim, você pode viver momentos extraordinários.
Sim, você pode visitar lugares fantásticos.
Sim, você pode construir a vida dos sonhos, mas eu juro, juro que a felicidade não mora no brilho de um piso caro em um casa com quartos inúmeros. 

A felicidade mora no saborear da vida.

Talvez você não tenha mais tanto tempo, meu bem. 
Não leve a vida tão a sério, talvez derrubar aquela prateleira e passar vergonha seja uma boa história daqui a pouco.

E é por isso, é por isso que eu odeio pegar meu celular enquanto tem o sol batendo em meu rosto.
Parte de mim odeia o que a sociedade se tornou, outra parte se sente sozinha por meu jeito de ser e sentir e outra parte? outra parte gosta das janelas. 

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