terça-feira, 29 de julho de 2025
Por entre os dedos
segunda-feira, 28 de julho de 2025
Se eu me desensibilizar
Me jogue um balde de água gelada.
Gelada.
Gelada de modo que fique dificil respirar.
Me deixe no escuro em um lugar desconhecido. No escuro
absoluto. Escuro aquele maior que esse.
Se quer algo mais acessível para que me ajude – Justo,
justíssimo- Algo mais fácil? Então, desarrume meu cabelo depois de eu estar
pronta ou me acorde aos gritos.
Isso. Aos gritos. Pode gritar, em plenos pulmões: Isso seria horrivel. Me faria chorar de angústia.
Mais simples? Me diz que perdi a hora e que já é meio dia em
uma Segunda-feira qualquer.
Só não deixa, só, não deixa eu desensibilizar.
Quando a chuva em minha pele não me fizer mais sorrir,
quando a música não me fizer mais cantar, quando acelerar não fizer mais meu coração
disparar, quando lembrar não fizer mais chorar, não deixa.
Não deixa eu desensibilizar.
Me dá um susto.
Me insulta.
Faz eu sentir raiva, cólera e qualquer um desses sentimentos
ruins, mas me tira do precipício da apatia.
Se eu desensibilizar, me traz de volta, custe o que custar, eu vou perdoar você depois e secar meus cabelos enquanto canto uma música qualquer.
Cantando errado, mesmo sabendo Inglês e podendo cantar certo, há um prazer
descomedido no poder de cantar certo e errar. Por puro deboche com a vida. Lembrar
da época onde, onde eu não entendia.
Época onde eu não entendia as letras. Onde tudo para mim
era um amontoado de sons, mas agora o som parou.
Eu estou pedindo coisas ruins porque as coisas boas, eu
sinto muito, as coisas boas?
Não estou pronta ainda.
Dispara minhas parótidas pela intensidade de sabores. Rompe a
homeostase do meu peito com seu toque. Faz minha dopamina aumentar – Só não
dispara minha amígdalas – Faz vibrar meus cílios auditivos com sua voz. Queria
que fosse poesia e que disso não passasse. Quem dera fosse, poesia.
Você nunca precisou entender de Biologia para fazer tudo
isso e mais, mas eu não me sinto pronta para sentir novamente, mas apática não
quero estar, então, por gentileza, alguém que me tire da apatia, mas não pelo amar.
Só não... não deixe eu desensibilizar.
E isso daqui é um não ao convite para aquele jantar. Um não
particular. Você é gentil, mas qual seu nome mesmo? Eu juro, não é indiferença.
Não tô interessada, nem em você, nem naquele e nem em nada. Minha grande questão
é:
Não quero desensibilizar, mas não a todo custo.
Me deixa na minha.
Talvez por muito sentir, quebrei.
Revisando o passado
Marina, li tudo que você escreveu, e posso dizer: Bem meia boca, mas não fique sentida, isso daqui tem zero relevância.
Não fica triste não, engole o choro.
Nessa altura você já aprendeu a ser mais forte, não é mesmo? Espero que sim.
Se quer saber? Legais os questionamentos que propõe, mas Marina, meu bem, quem se importa?
Sejamos francas: A gente sabe que você sempre quer ver o lado positivo de tudo, mas meu anjo, as vezes não tem mesmo e essa sua escrita previsivel com uma lição otimista no final... Bah, Marina.
Cadê a porção de catástrofes e caos que te compõe? Nem tudo termina bem. Você já descobriu isso?
Ai Marina, pega esse lencinho aqui.
Calma, meu bem. Você só sente demais, pensa demais.
Pegou o lencinho?
Meu bem, os rascunhos, deixa lá. Deixa lá porque há uma razão de ser. Você leu e julgou como "ruins", não foi? Eu li, aqui no futuro, 7 anos de depois e digo: Ruins mesmo. Viu? Você não erra sempre em seus julgamentos.
Você pode tentar voltar com esse hobby aqui, a gente em 2025 não melhorou muito, não. Você em 2017 me impediria, mas onde está você agora? Tremenda maldade, eu sei, mas pode entrar a versão menos poética e mais... Mais o que mesmo? Ah, sim, lapidada.
E Marina, bom trabalho até aqui: Nem tudo foi meia boca, alguns dos seus textos ainda me tocam como naquela época. Sou dura contigo, fato, mas preciso pegar pesado contigo porque a vida é muito pior, mas não se preocupe, melhoramos. Melhoramos muito, mas a escrita? Continua meia boca, mas ninguém liga. Portanto, seguimos.


