terça-feira, 29 de julho de 2025

Por entre os dedos

A arte de escrever é a de tornar os dedos, a tinta ou até mesmo a pena incontroláveis.
E, por entre esses, deixar fluir nossos mais honestos pensamentos.
O "controlar" é perder.
Assim como muita coisa da vida.
A escrita é sincera, visceral.
Ela só acontece de maneira fácil quando deixamos escorrer por entre nossos dedos partes de nós.
É impressionante o que temos aqui dentro, e revelar isso é nossa forma mais vulnerável de ser.
Nua e crua.
Eu nunca tive problemas com a verdade, mas a maneira como a escrita consegue nos despir é... é constrangedora, às vezes.

E tem temas que... Deixa, né? A gente não precisa falar de todos.

Tem temas que a gente deixa no fundo do coração, ou da gaveta.

Senta aí um pouquinho, tá com tempo?
Vamos perder um tempo juntos.

Eu só queria olhar as estrelas hoje à noite, na esperança de ver algo se mexendo no céu.
Eu já vi estrelas cadentes.
Já observei o céu por tanto tempo a ponto de me questionar se estava tudo se mexendo mesmo ou se eu estava apenas começando a imaginar/ver coisas.

Quando criança, eu ficava parada, minutos e minutos, esperando os beija-flores beberem aquele líquido doce, sabe? Naquelas botijas que simulam flores.
Eu esperava, paradinha, para pegar eles.
Pegava, olhava, beijava e soltava.

Não sei como, paciência não é minha maior virtude, mas deveríamos ser perfeitos?

Eu sei, não.
Não deveríamos.

Hoje à noite o céu não tem estrelas, e eu arrisquei procurar alguma.
O que eu arrisquei?

Me surpreender ou me decepcionar.
Isso depende, não é? Depende da expectativa que existia quando olhei para o céu.

Eu tenho esse pequeno sonho: comprar um telescópio.
Não posso alegar que quero ver o quão pequena sou nessa dimensão imensa do universo, porque, de modo geral, sei que sou pequena. Sou, mas não aqui, não dentro de mim.

Dentro de mim as coisas passam em uma frequência diferente.
Tão diferente que inventei algumas palavras para contemplar coisinhas que sinto e ainda não foram nomeadas. Neologismo, chamariam para autores consagrados. Para mim, pequenos absurdos aos quais me permito. Tô nem aí.

Literário e terapeutizada.

Mas "literário" não tem a ver com o  sentido original da palavra, e sim com a adjetivação de algo bom o suficiente para ser lido.
Será que o que escrevo é literário o bastante? (Entendeu como se usa?)

Se você está aqui, devo dizer: que honra, mas que mau gosto o seu.

No entanto, cada um perde tempo como deseja.
Eu escrevendo bobagens, você lendo-as.

A gente iniciou isso daqui falando sobre escrita, não é?
Quando penso em ser lida, a linha se... se...
Exato.
Não tem como.

Não tem como escrever pensando em validação.
Escrita é alma, e o máximo que faço é controlar um tema ou outro, porque:
– Arg, lembrei.

Ando com a sensação do embaraço. Não me refiro ao espanhol onde, Deus sabe, seria bom estar embarazada, mas me refiro a... embaraço e desconforto depois de ser visceralmente honesta e verdadeira.

Isso te ocorre?

Eu já fui melhor que isso um dia. Acho que conseguia ser mais impessoal.
Mas isso daqui? Isso daqui é o que temos hoje.

Obviamente que a maturidade me trouxe amarras e, honestamente? Não ligo tanto.
Não preciso falar meia dúzia de temas que permeiam minha mente e que seriam impertinentes.

Mas na escrita a gente encontra um certo refúgio, não é?
Dizem que a inspiração vem na tristeza, e eu mesma já disse algo como "São os maus bocados que nos fazem refletir." E há verdade nisso.

Já estive tão feliz ao ponto de não conseguir me concentrar para assistir algo na TV.

Mas a vida é uma montanha-russa de sentimentos.
Um dia estamos tão absorvidos em felicidade que não conseguimos nem pensar direito, e no outro estamos...

Pega seu café aí.
...Estamos aqui.

Tendo nossas reflexões profundas — ou há quem diga: mais ou menos profundas — e eu? Eu não discordo, não.
Só quero que o circo não pegue fogo no final.
E, nesse meio-tempo, eu vou tomando nota.

Anota.

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Se eu me desensibilizar

Se talvez eu fui longe demais dessa vez, por gentileza, alguém me belisque. 

Belisca bem forte. Pode deixar meu braço roxo.

Me jogue um balde de água gelada.

Gelada.

Gelada de modo que fique dificil respirar.

Me deixe no escuro em um lugar desconhecido. No escuro absoluto. Escuro aquele maior que esse.

Se quer algo mais acessível para que me ajude – Justo, justíssimo- Algo mais fácil? Então, desarrume meu cabelo depois de eu estar pronta ou me acorde aos gritos.

Isso. Aos gritos. Pode gritar, em plenos pulmões: Isso seria horrivel. Me faria chorar de angústia.

Mais simples? Me diz que perdi a hora e que já é meio dia em uma Segunda-feira qualquer.  

Só não deixa, só, não deixa eu desensibilizar.

Quando a chuva em minha pele não me fizer mais sorrir, quando a música não me fizer mais cantar, quando acelerar não fizer mais meu coração disparar, quando lembrar não fizer mais chorar, não deixa.

Não deixa eu desensibilizar.

Me dá um susto.

Me insulta.

Faz eu sentir raiva, cólera e qualquer um desses sentimentos ruins, mas me tira do precipício da apatia.

Se eu desensibilizar, me traz de volta, custe o que custar, eu vou perdoar você depois e secar meus cabelos enquanto canto uma música qualquer. Cantando errado, mesmo sabendo Inglês e podendo cantar certo, há um prazer descomedido no poder de cantar certo e errar. Por puro deboche com a vida. Lembrar da época onde, onde eu não entendia.

Época onde eu não entendia as letras. Onde tudo para mim era um amontoado de sons, mas agora o som parou.

Eu estou pedindo coisas ruins porque as coisas boas, eu sinto muito, as coisas boas?
Não estou pronta ainda.

Dispara minhas parótidas pela intensidade de sabores. Rompe a homeostase do meu peito com seu toque. Faz minha dopamina aumentar – Só não dispara minha amígdalas – Faz vibrar meus cílios auditivos com sua voz. Queria que fosse poesia e que disso não passasse. Quem dera fosse, poesia.

Você nunca precisou entender de Biologia para fazer tudo isso e mais, mas eu não me sinto pronta para sentir novamente, mas apática não quero estar, então, por gentileza, alguém que me tire da apatia, mas não pelo amar.

Só não... não deixe eu desensibilizar.

E isso daqui é um não ao convite para aquele jantar. Um não particular. Você é gentil, mas qual seu nome mesmo? Eu juro, não é indiferença. Não tô interessada, nem em você, nem naquele e nem em nada. Minha grande questão é:

Não quero desensibilizar, mas não a todo custo.

Me deixa na minha.

Talvez por muito sentir, quebrei.

Revisando o passado


Marina, li tudo que você escreveu, e posso dizer: Bem meia boca, mas não fique sentida, isso daqui tem zero relevância. 

Não fica triste não, engole o choro. 

Nessa altura você já aprendeu a ser mais forte, não é mesmo? Espero que sim.

Se quer saber? Legais os questionamentos que propõe, mas Marina, meu bem, quem se importa? 

Sejamos francas: A gente sabe que você sempre quer ver o lado positivo de tudo, mas meu anjo, as vezes não tem mesmo e essa sua escrita previsivel com uma lição otimista no final... Bah, Marina.
Cadê a porção de catástrofes e caos que te compõe? Nem tudo termina bem. Você já descobriu isso?

 Ai Marina, pega esse lencinho aqui.

Calma, meu bem. Você só sente demais, pensa demais. 

Pegou o lencinho? 

Meu bem, os rascunhos, deixa lá. Deixa lá porque há uma razão de ser. Você leu e julgou como "ruins", não foi? Eu li, aqui no futuro, 7 anos de depois e digo: Ruins mesmo. Viu? Você não erra sempre em seus julgamentos. 

Você pode tentar voltar com esse hobby aqui, a gente em 2025 não melhorou muito, não. Você em 2017 me impediria, mas onde está você agora? Tremenda maldade, eu sei, mas pode entrar a versão menos poética e mais... Mais o que mesmo? Ah, sim, lapidada. 

E Marina, bom trabalho até aqui: Nem tudo foi meia boca, alguns dos seus textos ainda me tocam como naquela época. Sou dura contigo, fato, mas preciso pegar pesado contigo porque a vida é muito pior, mas não se preocupe, melhoramos. Melhoramos muito, mas a escrita? Continua meia boca, mas ninguém liga. Portanto, seguimos.