segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Primavera


                                                                    
Esperei aproximadamente 9 meses para te encontrar.
9 meses alternados entre calor extremo, friozinho e frio congelante. Demorou pra você chegar.
Fiz ballet, aula de canto, dança e li aqueles livros da lista para ler antes de morrer, fiz muita coisa. 
A vida andou, sabe?

Não somente para frente. Foi para frente, para atrás e para aquele lugar que:

-deus me livre lembrar daquela noite.

 O que estou tentando dizer foi que em aproximadamente 270 dias muita coisa aconteceu.

Ai você apareceu com flores.

E foi flor que não acabava mais. 

Flor pelo chão, pela cama, por toda casa e eu para ajudar tentei cultivar algumas margaridas, ignorando o fato de ser alérgica.

Alérgica a  flores e a seus excessos. 

É que foram 9 meses, sabe?

Já disse que foram 9 meses?

Não tem flor que conserte isso.

Nem os pássaros, nem os diferentes aromas que você pode me proporcionar.

Pra ser mais assertiva o que você pode me proporcionar nunca me interessou, é tão clichê o que vou dizer, mas você bastava, e lembra? você foi ausente. 
Já estou sendo repetitiva, mas quero deixar claro para essa ser a última conversa.

Beleza inegável, desconforto constante e com 9 meses nasce uma criança. 
A única certeza é que depois de você quem vem é sempre mais quente, depois mais frio e esse ciclo nunca acaba. 

Saudosa primavera, me deixe em paz.

Budesonida.


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Incêndio teu


Disse o poeta que amor é fogo que arde sem se ver e ferida que não se sente, mas ele só disse isso porque não teve o prazer de te conhecer.

Eu me questionei tanto aquela tarde e a resposta ainda me falta. Seria o desejado amor um inferno pelo qual tantos lutam? Eu sei que não existe muita racionalidade em amar, mas sentir? Quem seria capaz de não sentir a dor dessa ferida?

Por isso, há quem diga que amar é sofrer. Me recuso argumentar contra isso porque posso dizer que, sim, dentre as tantas formas de amor conhecidas as mais comuns e corriqueiras são aquelas que acabam conosco.

Na verdade, você é a razão disso tudo.

Você tentou encontrar consolo em mim, alguma palavra para aliviar sua dor. 

A gente fingiu. 

Fingi que sabia o que falar e você fingiu que estava ali realmente para ouvir e não apenas para desabafar suas dores. As vezes, a gente merece licença para se enganar e nesse dia o direito era todo nosso.

“Não tem certo” foi o que conclui. Não tem mesmo.

Afinal, nessa terra de gigantes tudo tem seu preço e o problema não é quanto você paga e sim o quanto está disposto a pagar.

Se vale a pena, quem sou eu pra te dizer? As pessoas não merecem suas explicações, enquanto houver sorriso e ironia você não precisa elaborar respostas.
   
A verdade  é que o fogo que ardeu deu pra ver lá da esquina. 
Era como uma casa pegando fogo, o alarde, a confusão, a gritaria... Você não queria salvar seus pertences, somente seu ser que insistia em ficar preso naquele caos em chamas.

Dentre tantos olhares curiosos uma mão te acolheu para sair das chamas, você obviamente não saiu, não estamos num romance. 
Na verdade, qualquer um poderia tentar te salvar e seria em vão, porque no cerrado cedo ou tarde a gente pega fogo, ninguém escapa disso.

“É querer estar preso por vontade, é servir a quem vence o vencedor, é ter com quem nos mata lealdade, mas como causa pode seu favor nos corações humanos amizade, se tão contrário a si é o mesmo amor?”

Não sei Luís.

Apaga, refaça, desfaça o poema.

Não conheceu Antônia.