segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Cascavel - Paraná



Talvez essa seja uma espécie de carta de amor com um destinatário incapaz de recebê-la.

Nome próprio? Possui. 

Capacidade de ler ou entender qualquer bulhufas que sejam ditas aqui? Não.

Porém hoje ao entardecer aqui senti o cheiro de grama cortada, a brisa que desde criança sinto em meus cabelos e ao ver o alaranjado do céu e o barulho das cigarras, em meio a movimentação organizada do trânsito, decidi me pronunciar.

É Cascavel, você me pega de jeito mesmo.

Minha cidade é tipo cidade pequena com coisas boas de cidade grande – sem a parte ruim.

Não tão pequena a ponto de não ter um shopping mediano – Pois agora temos – e não tão grande a ponto de você precisa mais de 30 minutos para atravessar a cidade, e atravessando a cidade de vez em vez ela atravessou meu coração de forma que me faz aqui ficar.

Talvez para sempre? Não, mas ir agora? Agora não.

Não me tira daqui porque eu gosto do cheiro que tem aqui.

Não me tira daqui porque eu gosto de ver que o trânsito ficou mais complexo e eu, mesmo perdida, sei me virar naquela rotatória gigante que tem umas tantas opções de saída – E eu sempre acerto –

Não me tira daqui porque meu carro sabe certinho o caminho daquele café com um jardim bonito e o caminho da casa dos meus pais.

Não me tira daqui porque ali onde tem aquela mansão era o campinho de futebol onde minha irmã e eu jurávamos ter alienígenas.

Não me tira daqui porque no finzinho da tarde tem uma brisa, que quem não é daqui chama de vento forte e eu chamo de brisa que faz eu me sentir um pouco mais viva.

Não me tira daqui porque a terra vermelha que suja nossos pés nos fez chamar de “pé vermelho” o povo caipira do Paraná.

O Paraná não sei se é bom, mas meu coração foi plantado aqui, junto as araucárias que meu pai me fez desde criança aprender “Araucária angustifolia

Gimnosperma – A árvore do pinhão.

Se eu sair daqui, onde vou ver o pinhão no chão que da araucária caiu?

Se eu sair daqui onde vou ouvir as pessoas falando como eu?

Se eu sair daqui e me desenraizar, alguma outra terra me deixaria brotar?

Seria, eu, planta nativa ou vista como uma peste sem predador natural? Quem entende de Biologia sabe do que estou falando.

Não espero grande coisa de você Paraná, Cascacity, não espero grandes emoções da vida noturna -Eu nem curto isso – Não espero grandes eventos e shows– Ficar no meio de muita gente? apertada? Não, brigada. –

De você, Cascavel, espero as árvores bonitas que olho e tento contar os anos.

Espero de você o entardecer que me faz olhar e entender que a vida vale a pena até mesmo nos dias frios do inverno. Inverno da vida, inverno da cidade.

Não espero nada.

Eu amo de tal modo que não espero nada.

Sinto por você verdadeiro amor.

Não quero nada em troca.

Quando eu daqui sair eu vou chorar. Vou chorar meus todos anos vividos aqui.

Posso estar em um lugar mais lindo, mais tecnológico, mas não mais amado.

Não prentendo contigo estar para sempre, Cascavel. Você me pergunta: Que tipo de amor é esse Marina? E eu respondo: Um amor complexo que eu não consigo te explicar agora, mas algo me diz que aqui a vida toda não posso ficar, mas por enquanto deixa estar, deixa estar.

Me deixa ficar mais um pouquinho.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Galeria

 

Se você apertar esse texto ele escorre.

Acho que esse é o texto mais doloroso que já escrevi.

Já faz quase 9 anos que tenho esse blog e com muita coragem deixo meu coração falar através de palavras que quando separadas nada significam, mas que quando amontoadas aqui elas falam do que de mais sincero carrego em meu coração.

É preciso de muita coragem.

É preciso de coragem para viver, para sentir e ainda mais coragem para estar aqui.

Eu só escrevo porque escrever faz parte de mim e já faz um tempo que parei de me sentir grande nesse universo vasto. Sabendo o quão pequena sou e que a vida é somente um sopro o medo da exposição do que sinto se tornou secundário a minha vontade de através da arte deixar falar minha alma.

Respira.

Eu vou chamar esse texto de galeria.

Não consigo ser mais tão impessoal quanto um dia fui. Acho que cansei de falar nas entrelinhas. Hoje em dia eu falo de maneira mais objetiva e direta. Perdeu um pouco da arte e charme, confesso, mas eu só consigo ser eu e de mim não posso fugir.

Aprendi a viver e conviver comigo em minhas inúmeras fases e se hoje me tornei mais direta e menos poética eu simplesmente serei o que posso ser.

Eu estava olhando algumas fotos, nenhuma música triste tocava ao fundo.

Nenhuma.

A chuva caia lá fora e dentro de mim meu peito apertava a cada foto que eu via.

Eu sempre tive em meu olhar todas as palavras para aqueles que quisessem ler e sendo eu a dona desse olhar que escreve em pupila meus sentimentos vi em cada uma de minhas fotos tudo aquilo que não queria ler. Quão doloroso reconhecer eu tantas palavras em meu olhar.

Eu vi quando me acendeu, vi quando me trouxe quase a vida novamente e vi tamanha felicidade em meu olhar que nem mesmo os mais exímios escritores conseguiriam descrever.

A galeria tudo conta e tudo contou.

Parei de ver as fotos e tirei uma foto. Olhei e pensei: Tudo bem, independente disso, eu só não posso nadar, nadar e morrer nessa praia.

Por duas razões: A primeira é que eu nem a praia conheço, sendo assim considero uma grande injustiça morrer na praia e a segunda razão é que não seria digno de mim.

Não me superestimo, apenas me estimo o suficiente que julgo digno e honesto comigo.

Ver eu apagar dessa forma, ver a galeria mudar, ver a felicidade se esvair, o brilho nos olhos ser tomado por tristeza e um coração puro pela desconfiança e dor foi a coisa mais triste que já vi acontecer comigo. E quem me ama, vê em meus olhos. 

Mas não tem problema, por mais doloroso e triste que tudo isso seja ou pareça, veja: Só transcrevo a vida em palavras ao longo dos anos e nesse momento é simplesmente esse momento.

Esse texto é um lembrete da dor.

Um lembrete para quando eu chegar a praia viva.

Um lembrete para quando a luz voltar.

Não é sobre o brilho voltar, é sobre a vida voltar.

Mas isso é só um lembrete, um lembrete.

A intensidade em mim não diminui com o passar do tempo. Os anos não me tornam fria. Benção ou maldição? Eu não sei.

Juro que não sei, mas eu gosto de sentir, sempre gostei do sentir, mas sentir assim? Talvez tenha passado um pouquinho do limite.

Os que nos amam só podem nos amar, mas não podem dividir ou tomar para eles nossas dores. Eu nem deixaria, não deixaria que ninguém sentisse metade disso por 2 minutos.

Não poderia eu nadar e morrer na praia.

Não poderia eu permitir tamanho abandono comigo mesma.

Aprendi sobre muita coisa, posso dizer, aprendi as coisas mais dolorosas da vida dentro de um curto periodo de tempo, mas ainda desconheço o amor.

Não poderia eu nadar e morrer na praia.

Eu nem sequer sei nadar, mas se necessário for saio desse mar aos pulinhos, mesmo sem dar pé, ou até mesmo sem pé.

E Deus? Deus e os meus – Família –

Não existe nada além.

É tudo mato. 

É tudo mato. 


 

domingo, 7 de dezembro de 2025

Uma vida comum

 Acho que, de certa forma, tem coisas que somente uma música lenta com uma chuva fraca ao fundo resolve.

Chuva fraca. Fraca.

Não quero a intensidade da ventania da chuva forte, nem o Sol quente me queimando, mesmo a sombra, em um dia de verão.

Chuva fraca e música lenta.

Cebola e alho picadinhos sendo preparados em uma panela brilhando.

Janela aberta, como quem não tem nada a esconder, e cortina voando.

Cortina voando porque não é só a ventania que consegue tirar as coisas do lugar, mas também a brisa.

Brisa que toca o rosto e afasta o cabelo do pescoço fazendo arrepiar.

Brisa e chuva fraca.

A banalidade de uma vida comum – Não deixa o alho queimar –

A banalidade da vida comum e dos dias normais. Uma flor na mesa. Somente uma, somente uma. Jasmim, porque o perfume do Jasmim é capaz de inundar uma casa inteira, apenas um jasmim. Apenas um.

Apenas um dia comum.

Apenas uma noite comum sem grandes acontecimentos.

Apenas uma noite sem grandes emoções. Sem emoções.

Somente a contemplação do belo e o belo é ser comum.

O belo é desfrutar da uma música lenta sem a pressa e ansiedade que o amanhã nos traz.

O belo é sentir a chuva sem a preocupação do cabelo que ela desarruma.

O belo é sentir, mas não somente o sentir intenso, mas o sentir morno, o sentir brando, o sentir banal.

Porque muito da vida acontece nesses momentos onde a comida é preparada, a brisa sopra, a chuva cai e o coração nada sente, a mente nada reflete, mas existe paz e calma.

Uma vida comum.Uma vida comum é extraordinária quando saboreada por aqueles que de sabores entendem e se você disso não entende eu te digo: Não irá te fazer mal.

Agora abre a porta para ventilar.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Sobre você - Uma oração


Me dei conta de que se morresse hoje não deixaria algo escrito para atestar que por mim passou. Não sei exatamente por onde começar, mas posso dizer que o que de melhor alguém já me disse nessa vida foi “Marina, busque a Deus”. Eu em minha rebeldia bati o pé e disse a Deus: “Não pai, está tudo errado”

Deus, você por tanto tempo em segundo – ou último lugar – em minha vida.

Fui agraciada com a bênção de ser uma pessoa feliz, do acordar ao dormir, quem me conhece sabe. Nunca precisei de muito para ser feliz, sempre me senti genuinamente feliz ao sentir a chuva tocar minha pele e abraçar aqueles que amo, sempre buscando meu lugar ao sol, mas sempre apreciando a sombra.

Você bem sabe, Senhor, sempre agradeci mais do que pedi, não por ser boa, mas porque não me existem pedidos. Eu nada quero, na realidade.

Meu medo, meu medo sempre foi morrer ou perder aqueles que amo.

Hoje eu digo que poderia morrer hoje, agora mesmo, e seria feliz.

Não tenho nenhuma vontade em partir, você sabe, mas se assim fosse eu iria feliz, porque sinto saudades de ti constantemente.

Em sua presença encontro paz e alegria e ao olhar minha vida percebo o quão bom o Senhor foi e é comigo por ter me dado alegria constante em meu coração. Por ter me feito assim, não necessariamente contentada, jamais acomodada, mas sempre contente.

Lembro Deus de em inúmeros momentos esconder minha felicidade porque ela sempre incomodou muito muita gente e sabe Senhor? Nunca fui nada sem ti.

Meus momentos de rebeldia, meus questionamentos tão grandes, para minha juventude e tão petulantes, arrogantes, cheguei a pensar que o Senhor não existisse.

Pensei, pensei, conclui, falhei.

Tamanha falha que eu mesma não me perdoei por muitos anos após perceber o tamanho do meu equivoco.

Senti seu cuidado em cada segundo de minha existência, posso dizer Senhor que nunca, nunca mereci tamanho amor.

Não sei porque, não entendo o porque o Senhor me escolheu dessa forma e porque o Senhor cuidou e cuida tanto de mim.

Filha amada. O Senhor sabe.

Só o Senhor sabe o quão improvável.

Eu provei do seu amor em meus mais profundos momentos de incredulidade.

Minha rebeldia, minha arrogância em pensar que tanto sabia.

Hoje vejo, não me falta nada.

Vivi muito pouco, mas senti amor e dor.

Acredito que o mais profundo amor e também a mais profunda dor.

Vi a beleza da vida em todos os meus dias e obrigada Senhor por me fazer tão sensível.

Acho que ainda me resta muito a conhecer, viver Senhor e a desfrutar de todo seu amor, mas se aqui terminasse, saiba que o Senhor me deu tudo e muito mais do que eu precisava.

Senhor, não existe nada fora de sua presença.

Não existe, pai.

Quando saio de Sua casa e vejo as ruas da cidade, o Senhor sabe, o Senhor sabe.

Como eu queria pai que as pessoas provassem de seu amor. Quero ser um instrumento usado por ti para poder através de minha vida fazer as pessoas te conhecerem.

Nada existe fora de ti e de sua presença.

Obrigada pai por me amar.

Obrigada pai por me esperar e me abraçar.

Eu não poderia não falar de ti e de seu amor aqui.

Sou genuinamente satisfeita Deus e como poderia eu não ser?

Esses dias orando eu disse que só queria sua presença sempre presente em minha vida e eu ri pensando “Só isso, Marina?” hahaha, só isso?

Muita pretensão.

Graça imerecida.

Deus, sua graça me basta e meu coração transborda com seu amor.

Eu sinto, sinto por todos aqueles que não sabem o que é seu amor.

Meu coração quase explode e não existe nada que a vida possa me dar que se compare a isso.

Pai, obrigada. Sem sua presença minha alma sufoca.

Sem sua presença não existe felicidade.

Obrigada por tudo. Em tudo, em tudo sou grata e nada me falta.

Papai, amo você, mais do que poderia colocar nesse texto, mas gostaria de eternizar aqui seu imenso amor.

Seu amor, Senhor: Incomparável.

Amém.

terça-feira, 29 de julho de 2025

Por entre os dedos

A arte de escrever é a de tornar os dedos, a tinta ou até mesmo a pena incontroláveis.
E, por entre esses, deixar fluir nossos mais honestos pensamentos.
O "controlar" é perder.
Assim como muita coisa da vida.
A escrita é sincera, visceral.
Ela só acontece de maneira fácil quando deixamos escorrer por entre nossos dedos partes de nós.
É impressionante o que temos aqui dentro, e revelar isso é nossa forma mais vulnerável de ser.
Nua e crua.
Eu nunca tive problemas com a verdade, mas a maneira como a escrita consegue nos despir é... é constrangedora, às vezes.

E tem temas que... Deixa, né? A gente não precisa falar de todos.

Tem temas que a gente deixa no fundo do coração, ou da gaveta.

Senta aí um pouquinho, tá com tempo?
Vamos perder um tempo juntos.

Eu só queria olhar as estrelas hoje à noite, na esperança de ver algo se mexendo no céu.
Eu já vi estrelas cadentes.
Já observei o céu por tanto tempo a ponto de me questionar se estava tudo se mexendo mesmo ou se eu estava apenas começando a imaginar/ver coisas.

Quando criança, eu ficava parada, minutos e minutos, esperando os beija-flores beberem aquele líquido doce, sabe? Naquelas botijas que simulam flores.
Eu esperava, paradinha, para pegar eles.
Pegava, olhava, beijava e soltava.

Não sei como, paciência não é minha maior virtude, mas deveríamos ser perfeitos?

Eu sei, não.
Não deveríamos.

Hoje à noite o céu não tem estrelas, e eu arrisquei procurar alguma.
O que eu arrisquei?

Me surpreender ou me decepcionar.
Isso depende, não é? Depende da expectativa que existia quando olhei para o céu.

Eu tenho esse pequeno sonho: comprar um telescópio.
Não posso alegar que quero ver o quão pequena sou nessa dimensão imensa do universo, porque, de modo geral, sei que sou pequena. Sou, mas não aqui, não dentro de mim.

Dentro de mim as coisas passam em uma frequência diferente.
Tão diferente que inventei algumas palavras para contemplar coisinhas que sinto e ainda não foram nomeadas. Neologismo, chamariam para autores consagrados. Para mim, pequenos absurdos aos quais me permito. Tô nem aí.

Literário e terapeutizada.

Mas "literário" não tem a ver com o  sentido original da palavra, e sim com a adjetivação de algo bom o suficiente para ser lido.
Será que o que escrevo é literário o bastante? (Entendeu como se usa?)

Se você está aqui, devo dizer: que honra, mas que mau gosto o seu.

No entanto, cada um perde tempo como deseja.
Eu escrevendo bobagens, você lendo-as.

A gente iniciou isso daqui falando sobre escrita, não é?
Quando penso em ser lida, a linha se... se...
Exato.
Não tem como.

Não tem como escrever pensando em validação.
Escrita é alma, e o máximo que faço é controlar um tema ou outro, porque:
– Arg, lembrei.

Ando com a sensação do embaraço. Não me refiro ao espanhol onde, Deus sabe, seria bom estar embarazada, mas me refiro a... embaraço e desconforto depois de ser visceralmente honesta e verdadeira.

Isso te ocorre?

Eu já fui melhor que isso um dia. Acho que conseguia ser mais impessoal.
Mas isso daqui? Isso daqui é o que temos hoje.

Obviamente que a maturidade me trouxe amarras e, honestamente? Não ligo tanto.
Não preciso falar meia dúzia de temas que permeiam minha mente e que seriam impertinentes.

Mas na escrita a gente encontra um certo refúgio, não é?
Dizem que a inspiração vem na tristeza, e eu mesma já disse algo como "São os maus bocados que nos fazem refletir." E há verdade nisso.

Já estive tão feliz ao ponto de não conseguir me concentrar para assistir algo na TV.

Mas a vida é uma montanha-russa de sentimentos.
Um dia estamos tão absorvidos em felicidade que não conseguimos nem pensar direito, e no outro estamos...

Pega seu café aí.
...Estamos aqui.

Tendo nossas reflexões profundas — ou há quem diga: mais ou menos profundas — e eu? Eu não discordo, não.
Só quero que o circo não pegue fogo no final.
E, nesse meio-tempo, eu vou tomando nota.

Anota.

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Se eu me desensibilizar

Se talvez eu fui longe demais dessa vez, por gentileza, alguém me belisque. 

Belisca bem forte. Pode deixar meu braço roxo.

Me jogue um balde de água gelada.

Gelada.

Gelada de modo que fique dificil respirar.

Me deixe no escuro em um lugar desconhecido. No escuro absoluto. Escuro aquele maior que esse.

Se quer algo mais acessível para que me ajude – Justo, justíssimo- Algo mais fácil? Então, desarrume meu cabelo depois de eu estar pronta ou me acorde aos gritos.

Isso. Aos gritos. Pode gritar, em plenos pulmões: Isso seria horrivel. Me faria chorar de angústia.

Mais simples? Me diz que perdi a hora e que já é meio dia em uma Segunda-feira qualquer.  

Só não deixa, só, não deixa eu desensibilizar.

Quando a chuva em minha pele não me fizer mais sorrir, quando a música não me fizer mais cantar, quando acelerar não fizer mais meu coração disparar, quando lembrar não fizer mais chorar, não deixa.

Não deixa eu desensibilizar.

Me dá um susto.

Me insulta.

Faz eu sentir raiva, cólera e qualquer um desses sentimentos ruins, mas me tira do precipício da apatia.

Se eu desensibilizar, me traz de volta, custe o que custar, eu vou perdoar você depois e secar meus cabelos enquanto canto uma música qualquer. Cantando errado, mesmo sabendo Inglês e podendo cantar certo, há um prazer descomedido no poder de cantar certo e errar. Por puro deboche com a vida. Lembrar da época onde, onde eu não entendia.

Época onde eu não entendia as letras. Onde tudo para mim era um amontoado de sons, mas agora o som parou.

Eu estou pedindo coisas ruins porque as coisas boas, eu sinto muito, as coisas boas?
Não estou pronta ainda.

Dispara minhas parótidas pela intensidade de sabores. Rompe a homeostase do meu peito com seu toque. Faz minha dopamina aumentar – Só não dispara minha amígdalas – Faz vibrar meus cílios auditivos com sua voz. Queria que fosse poesia e que disso não passasse. Quem dera fosse, poesia.

Você nunca precisou entender de Biologia para fazer tudo isso e mais, mas eu não me sinto pronta para sentir novamente, mas apática não quero estar, então, por gentileza, alguém que me tire da apatia, mas não pelo amar.

Só não... não deixe eu desensibilizar.

E isso daqui é um não ao convite para aquele jantar. Um não particular. Você é gentil, mas qual seu nome mesmo? Eu juro, não é indiferença. Não tô interessada, nem em você, nem naquele e nem em nada. Minha grande questão é:

Não quero desensibilizar, mas não a todo custo.

Me deixa na minha.

Talvez por muito sentir, quebrei.

Revisando o passado


Marina, li tudo que você escreveu, e posso dizer: Bem meia boca, mas não fique sentida, isso daqui tem zero relevância. 

Não fica triste não, engole o choro. 

Nessa altura você já aprendeu a ser mais forte, não é mesmo? Espero que sim.

Se quer saber? Legais os questionamentos que propõe, mas Marina, meu bem, quem se importa? 

Sejamos francas: A gente sabe que você sempre quer ver o lado positivo de tudo, mas meu anjo, as vezes não tem mesmo e essa sua escrita previsivel com uma lição otimista no final... Bah, Marina.
Cadê a porção de catástrofes e caos que te compõe? Nem tudo termina bem. Você já descobriu isso?

 Ai Marina, pega esse lencinho aqui.

Calma, meu bem. Você só sente demais, pensa demais. 

Pegou o lencinho? 

Meu bem, os rascunhos, deixa lá. Deixa lá porque há uma razão de ser. Você leu e julgou como "ruins", não foi? Eu li, aqui no futuro, 7 anos de depois e digo: Ruins mesmo. Viu? Você não erra sempre em seus julgamentos. 

Você pode tentar voltar com esse hobby aqui, a gente em 2025 não melhorou muito, não. Você em 2017 me impediria, mas onde está você agora? Tremenda maldade, eu sei, mas pode entrar a versão menos poética e mais... Mais o que mesmo? Ah, sim, lapidada. 

E Marina, bom trabalho até aqui: Nem tudo foi meia boca, alguns dos seus textos ainda me tocam como naquela época. Sou dura contigo, fato, mas preciso pegar pesado contigo porque a vida é muito pior, mas não se preocupe, melhoramos. Melhoramos muito, mas a escrita? Continua meia boca, mas ninguém liga. Portanto, seguimos.