terça-feira, 31 de março de 2026

Relato (4) - Since 2010

Você já sonhou com furacões? Eu nunca havia sonhado com um furacão e há mais ou menos 8 meses esse sonho se tornou rotineiro pra mim. É aterrorizante e eu já me acostumei tanto com esses sonhos que em cada sonho que tenho eu tento uma forma diferente de fugir e ficar viva, infelizmente, geralmente não da certo e eu sinto fisicamente a dor desse furacão. Eu sei que é horrível, mas eu já acostumei e acredito em algum desses sonhos conseguirei fugir e permanecer viva. Sendo bem sincera, não me incomoda mais, apenas acho estranho. 

A força de um furacão é absurda e em meu sonho eu sinto toda ela, mas felizmente a tempestade que está chegando no Paraná não vai passar por Cascavel, porque confesso que me apavora a ideia, mas sejamos sinceros, não há motivos, não tem furacões assim por aqui, além disso algo me diz que eu não deveria me preocupar. Sabe por que? Minha casa é cheia de arco-íris e eu não quero nenhuma explicação lógica explicando como eles aparecem em minha casa pelo reflexo ou vidros/espelhos seja lá o que for. Eu não quero ouvir nada disso, eu só olho para eles e penso na aliança de Deus com a humanidade.

Gêneses 9:16 "Toda vez que o arco-íris estiver nas nuvens, olharei para ele e me lembrarei da aliança eterna entre Deus e todos os seres vivos de todas as espécies que vivem na terra”.

Deus, será que ele precisa mesmo estar nas nuvens? Eu tenho alguns aqui dentro de casa. Espero que ainda se lembre.


E por falar em Deus: Eu estava pensando hoje como Deus criou cada um de nós de forma tão singular. 
Eu estava lendo sobre os Socráticos e sendo bem sincera: Você não se entristece como a morte de Sócrates? 
Sempre que penso em Sócrates muito me entristece pensar na morte dolorosa que ele teve que enfrentar - Dizem que ele vivia uma vida de pobreza e que encontrou a felicidade através da Filosofia - 
Você bem deve saber a diferença entre alegria e felicidade, não é?
Eu até ia falar sobre isso, mas acabei lembrando que acho que tenho algumas opiniões impopulares. Meu Deus, uma delas é terrível, minha mãe brigaria comigo, mas irei contar: 
(Será?) A primeira é até tranquila: Sempre gostei do cheiro de tinta ou de algo recém pintado.

A segunda é terrível, hahaha, terrível: Gosto do cheiro de mato queimando, mas odeio as consequências disso:
- Recolhe a roupa.
- Quanta fuligem no chão! 
- Quem é o idiota que taca fogo em pleno verão? 
Eu também penso da mesma forma: Quem é o idiota? Mas eu gosto do cheiro.

Gosto do cheiro de protetor solar, de quase todos eles, mas confesso que o verão desse ano me queimou de um jeito que eu não conhecia ainda e meu braço esquerdo parece estar com febre constante e vermelho. Por dirigir mais do que de costume nas últimas semanas e para você isso pode parecer pouco, mas tudo que eu pensava sobre o verão mudou nesse último ano. Olha que eu, por muito frio sentir, dizia que queria morar em um lugar que fosse sempre ensolarado, mas eu juro, tem sido tão doloroso, acho que não aguento mais um mês desse Sol.

Meu braço queimando há dias e mesmo passando pós Sol... Alguém diz para o inverno que nunca mais reclamo, que serei boazinha dessa vez.

Voltando a Sócrates acho uma lástima.  A humanidade sempre foi maldosa, não é verdade? Que bom que Deus fez a aliança e prometeu não destruir tudo novamente, porque do jeito que as coisas andam é bom ter uma aliança de Deus com a humanidade.

Tem tantas coisas interessantes nesse livro que ando lendo, mas talvez aqui não seja o lugar para aprofundar sobre esse assunto.

- E onde seria, Marina? 
Eu confesso que leio tudo que escrevo e penso "Meu Deus, eu pareço muito solitária, não é?" kkkkk.

Deliberadamente solitária, apenas isso, mas seria mesmo interessante ter um lugar para escrever sobre essas coisas. Aliás: Escrever. Hoje lembrei de algo absurdo. 

Não escrevo desde 2017, na verdade não, antecede 2017...

Hoje me lembrei que com mais ou menos 14 anos o Leonardo - Leonardo, obrigada - que já tinha seus 23 anos me convidou para escrever no blog da igreja: Loucos por Deus e eu aceitei.
Foi ai que aprendi a usar um blog e aparentemente ainda tenho coisas a dizer. Eu publicava uma vez por semana e escrevia sobre temas diversos relacionados a Biblia/vida. 

Eu, em um certo momento, apaguei tudo que havia publicado lá. O  blog morreu e ficaram lá os textos -E eram várias pessoas que publicavam - 
Um dia eu revisitei e fiquei com vergonha do quão mal escrevia...
- Marina, continua meio ruim, não tem como apagar nossa existência!-
Bobagem minha e agora não tem como ter aqueles textos novamente, mas parabéns, Marininha, você havia feito um bom trabalho sua bobinha. 

É... não é possível voltar no tempo. 
Não tem como livrar Sócrates de beber cicuta e depois da fuligem no chão só nos restar lavar novamente o chão e eu até tinha outras coisas para falar, mas meus braços queimam. 









domingo, 29 de março de 2026

Relato (3) - Fotografia

Foto de quem tirou a foto
 Eu sempre gostei de um tipo específico de fotografia e uma câmera sempre quis ter. Eu nunca comprei uma porque acho que sou um pouco timida. Definitivamente não gosto de chamar atenção e eventualmente vejo coisas tão lindas, mas tenho vergonha, confesso, mas eu vejo graça em muita coisa comum e pegando o gancho do começo vou dizer que é justamente desse tipo de foto que gosto. Mais despretenciosas, entende? Registrar a vida e apenas isso. 
Minha mãe tem uma foto tirada por meu pai, em um dia qualquer onde ela fazia panquecas. 
Ela está com o cabelo preso, olha urpresa para ele com a frigideira em mãos e essa foto é a minha favorita.

Eu lembro que há algum tempo eu decidi que sempre que abrisse a câmera para fotografar algo se a câmera frontal abrisse eu tiraria uma foto minha independente do ângulo, independente de onde fosse. 

Fotografia já foi um meio de registrar a vida - Ainda é?-


Um casal se beijando - Foto. 
Já hoje: Hora da foto: Se beijem.

- Não, não, não. Olha pra ela desse outro ângulo. Faz um olhar apaixonado. 

~Faz um olhar apaixonado (?)


Não tem forma certa de se viver, mas o dia que me pedirem para fazer um olhar apaixonado eu vou repensar minha vida.


 




Epitáfio

E no esvaziar dos pulmões, palavras bonitas ditas -a quem?- alguns ritos, formalidades e jaz embaixo da terra alguém que um dia foi. 
No esvaziar do pulmões e no apagar dos olhos, será que o coração aperta? Ou já cansado somente aceita o eminente?
Após dores e dissabores: Lápide. Chão com terra ainda fofa e palavras em uma pedra fria escritas - quais? e por quem escolhidas-?
E o que restava ainda a dizer? o "amo você" é tão sublime que poderia explicar muito do que descabidas linhas não seriam capazes pois, se sincero, após "eu te amo" não há nada mais a ser dito e o que passa disso é um luxo e não mais necessário.
Eu amo você seria suficiente - Por que choras?-
Quem se vai muito pensa em quem ficou e em última instância no apagar da vida: Lembre-se do amor.
Palavras não ditas, momentos não vividos, dores não perdoadas, feridas ainda abertas, planos incompletos, vaidades, vaidades, vaidades que você só entende quando o brilho dos olhos não se faz mais presente e dele a vida já se esvaiu.
O toque das mãos quentes de quem aqui já não mais está. 
É lápide o nome, certo? Pedra fria, perpétua? tal como a morte? Fria. Penso, então, no escrever e no quanto eu ainda diria antes de partir. 
Eu compreendo o propósito do epitáfio, eu bem sei, afinal, não sou eu a que sempre tentou causar um pouquinho de reflexão? Mas não consigo imaginar caber naquela pedra tudo que é digno a alguém.
Talvez o ideal seria: Puxa essa lápide e pega a carta que embaixo dela está, se, se ela não estiver mais aqui você chegou tarde demais ou é apenas um curioso ao qual essa história não deveria interessar: Vá embora. 
(Frases amargas a quem não merece desafeto, mas já é tarde demais)
Pelo calejar dos dedos de mentes brilhantes fizeram-se textos extraordinários que já cravados na história estão. Minha incapacidade é tamanha que nem mesmo o café consigo definir com precisão, e ainda assim escrevo. Petulância? De forma alguma. A vida é brutal e brutalmente linda, em mim ela bate e de mim saem palavras macias e eu queria ser espinho, mas para ser espinho precisa afiar-se mais e eu fujo de tudo que me amola.

O espinho é precisão, penetração e eu olho muito para as paredes e para o teto, sempre a ponderar. 

Eu muito e sobre muito escrevo, nunca me comprometi em fazer algo realmente de boa qualidade, mas prometi colocar meu coração e sinceridade em cada vírgula do que escrevesse e disso, indubitavelmente, fiz e faço, mas se me desse uma lápide? e um epitáfio eu precisasse escrever? Me faltariam palavras, ferramentas mentais, estômago, firmeza e a apátia necessária para que eu escrevesse meia duzia de palavras e fingisse serem elas justas e suficientes. Soluçar meu coração para fora do peito não ajudaria em nada, afinal, e eu sou fraca, fraca demais.

Epitáfios não escreverei, mas de maneira honesta estarei aqui, não por arrogância, mas pela necessidade de exprimir a vida, pois sei que as últimas palavras escritas não serão minhas, portanto, não revogue meu direito de entre a letra maiúscula e o ponto final falar e nada mais peço. 


sexta-feira, 27 de março de 2026

Relato (2) Capis

 

27 de Março de uma noite abafada. 

Após 9 anos eu ganhei a permissão para escrever como eu bem entender.
9 anos, hahaha, e tem gente querendo que eu facilite.

As capis não estavam aqui quando cheguei, elas chegaram agora pouco, correram em frente ao carro e eu quis tirar uma foto para garantir que não estou enlouquerendo.
A verdade é que eu sempre gostei muito da natureza e tudo que Cascavel me oferece nessa Sexta a noite não me apetece mais do que estar aqui no meio do nada sentindo o cheiro de mato e ouvindo barulhos que os bichos fazem lá pelas 9 da noite.


Lá onde eu moro eu ouço muitas coisas diferentes das que costumava ouvir.
Ouço o pessoal do exército correndo e gritando "Hop hop, ... hop hop..." e também ouço os passos das pessoas que passam na rua. Tem gente que passa cantando, mas apesar de minha descrição soar muito como um lugar movimentado é na verdade um lugar calmo, lindo, cercado de árvores e parece ter saído de um livro. 
"Hop, hop... hop, hop..."

Existe uma coisa chamada espaço pessoal, sabia? É claro que você sabia, essas perguntas são retórias e existem só para deixar o texto mais fluido.

-Me deixa. 
O tal do espaço pessoal é um dos grandes problemas da minha vida.
-Te falta problemas, mocinha.
Vou explicar melhor. Não gosto muito de interações, e é doido porque acho que ninguém que me conhece pode dizer isso, mas é verdade. Talvez uma pessoa atenta perceba que respondo msgs a cada 10 dias e eu juro, está tudo bem comigo, eu sempre fui assim.
E, de fato, pode parecer confuso, pois eu posso conhecer alguém pessoalmente, conversar e a pessoa pode gostar muito de mim, mas eu nunca mais responderei.
- É uma falta de respeito, Marina.
- Será que é? Responde você então. Estou sem tempo. 
Lembro que na época do colégio nós sentavamos em roda e tocavamos violão por três dias seguidos e depois disso eu desaparecia, na biblioteca para poder ficar sozinha. Meu pesadelo era quando meus amigos me encontravam lá. 
- Bora, Mari, bora. Chega, a gente veio te salvar.
Sempre gostei dos meus amigos, mas sempre precisei estar sozinha e eu nunca consegui sobre isso falar ou esclarecer para as pessoas. 
-Sobre isso o que, Mari? 
O texto vai ficar prolixo, mas é para isso que existe essa parte aqui chamada de relatos, então, vamos lá: 
"Hop, hop... hop, hop..."
Existem as pessoas timidas, certo? Você sabia que tem gente timida que tem vontade de interagir, mas não consegue? Nem toda pessoa timida quer se isolar, sabia? Tem muita gente timida que, na verdade, fica observando as interações e quer delas participar, mas não consegue. Interessante, não? Tem gente que fala pouco mas adora estar ouvindo. Já eu sou o oposto. Tenho facilidade em interagir, as pessoas gostam muito de mim e por me comunicar bem as pessoas querem continuar a comunicação, mas eu não quero. 

- É falta de educação, Marina.
- Ah, eu já tenho 29 anos. Me deixa, vai. Não quero fazer média com ninguém. É muito raro eu querer responder msgs, por que fingir? 

O problema não são as pessoas.
- kkkkkkkkk, essa é boa, né? 
Eu tenho outra melhor que essa:
-Vou te libertar para você ser feliz.
Passarinho criado em cativeiro morre quando abre a gaiola, o tal do libertar por amor é tão cruel as vezes, né? 
Mas quem que compra essa? 

Mas a questão das pessoas? sinceramente? Não tem nada errado com as pessoas, absolutamente nada, tem pessoas interessantes, mas acredito que seja introversão a resposta para tudo isso. O lado negativo disso é que entristece pessoas mais sociáveis e acredito que eu seja uma "falsa" sociável, não no sentido de "falsidade" mas no sentido de "parecer e não ser" porque de fato eu pareço mesmo ser a pessoa que será sua melhor amiga até a morte, sempre batendo papo e sendo presente, mas infelizmente não.

Não sou a amiga grudenta, nunca serei, mas se precisar de alguém para estar contigo em um hospital por noites e noites, eu estarei lá. Se precisar de algo no meio da madrugada, eu irei, mas não me manda msg. O tom desse texto é péssimo, mas é honesto. Tem coisa muito pior, vai por mim. 

No entanto existe algo muito legal que pode acontecer e pra mim é quase um milagre.
1-O portão do espaço pessoal.
Existe esse portão que fica cadeado porque eu muito me assemelho a uma velha ranzinza, do lado de fora do portão, do lado de fora, mas se alguém tiver a senha... a senha do cadeado, é impressionante.
Fico impressionada com o fato de eu desejar responder e até mesmo ansiar por receber uma msg e pra mim isso é atípico e eu não mais sinto desconforto, porque se torna parte daquele espaço. 
É tão doido isso. 
Pra mim é um sentimento absurdo, porque não me pesa e eu poderia perder uma vida inteira, mas acho tão dificil de aceitar alguém dentro desse espaço, sabia?
Não é maldade, nem seletividade.
-Você é muito seletiva.
- Sou, mas não é isso. 
Só me incomoda demais essas interações e eu as evito. Eu me sinto invadida porque não bastando as pessoas mandarem msg elas querem resposta.
Meu Deus, pesei a mão. 
Mas veja, não tem como me levar a sério. Releve. Sou um bicho do mato mesmo, mas não tem como saber só de olhar.








quarta-feira, 25 de março de 2026

Azov

Abro a janela e o céu parece ter uma cor opaca.
É como se eu pudesse arranhá-lo e embaixo das minhas unhas ficariam os residuos dessa névoa que ele cobre, mas o céu é grande demais e minhas unhas curtas demais.
Abro a janela e o vento não me abraça, ele simplesmente por mim passa, ignorante, passa com a indiferença que existe em toda natureza para nos fazer perceber que, de fato, nada somos e hoje eu só queria sentir o frio. 

Nenhuma estrela no céu e ao olhar pela janela vejo o céu do começo ao fim.
Se eu pudesse limpar o céu desse opaco que o envolve para trazer a ele novamente a alegria dos dias de verão, assim eu faria?

A estação mudou e eu não sigo o calendário, mas senti em minha pele, assim com tantas outras coisas.
Dia 20, diz o calendário.
Dia 25, digo eu.

Dia 25 o outono soprou e o céu mudou, assim como a luz que por aquela porta entrava e me cegava há alguns dias, hoje, muito mais educada, meus braços não ousou queimar. 

Eu já passei por quantos Outonos? Eu não sei. Nasci na primavera e ao polén sou alérgica, meu nome significa "Aquela que veio do mar" e... e talvez assim tenha sido mesmo. 
O ser humano conhece mais sobre o espaço do que sobre o fundo do mar e talvez seja por isso que acho mais fácil olhar para o céu e ele querer arranhar ao invés de mergulhar em mim mesma. 
Abisal: É a parte do oceano caracterizada por ausência total de luz, temperaturas extremamente baixas e altissima pressão.

"Aquela que veio do Mar"

Qual mar? eu me pergunto. 

O céu continua opaco. 
Acho que são nuvens carregadas, mas se esfriar demais não vai chover, porque para chover a temperatura não pode estar tão baixa, mas nesse momento, sinceramente, o que posso considerar baixo o suficiente? 
Eu sei te dizer: A fossa das Marinas. 

Não queria que esse texto ganhasse esse tom de riso, mas o que seria de mim sem o riso?
A fossa das Marinas é o fundo mais  "profundo" do oceano.

Eu já estive lá, é verdade o que dizem.

Eu não queria pessoalizar esse texto, mas fica dificil quando chamam de "fossa das Marinas" 

Existem tantas coisas que não entendo e as vezes eu gosto de ficar na ignorância para poder continuar olhando para o céu e continuar tendo dúvidas sobre "Como pode o céu e o mar serem tão parecidos"? Ambos imensos, lindos, assustadores e esculpidos por Deus em cada um de seus detalhes. 

Mar Azov, acho que foi de lá que vim. 
O Mar Azov  é o mar com menor profundidade do planeta, mas a luz dele, a luz dele permite uma rica vida marinha.
Não tão profunda a ponto de me tornar completamente obscura e sem vida.
Geralmente na profundidade a vida tende a diminuir, mas eu vejo na  profundidade um convite a vida.

Azov. Azov.  




Árvore de flores rosa

- E você só sabe escrever sobre a dor? 

- Mas poxa vida, escrevo um montão de coisas legais! 

- Mas e a dor?

- Vem cá, você está com tempo?

- Um tiquinho de tempo. 

- Pode ser. Sobre a dor escrevo, sim, porque acredito que nesses momentos fico mais reflexiva e coloco pedaços dessas reflexões no papel. Só isso. Sei que não é uma resposta extraordinária, mas é a resposta honesta.

- Mas sente muita dor? 

- Ah, eu sinto a vida de maneira intensa, mas nos momentos de felicidade eu não estou aqui, somente em alguns, entende? Sabe uma coisa engraçada? Eu disse:

"Rafael, não tira toda a tristeza de mim porque é importante que eu não perca a arte que habita em mim."

"Mari, você vai ficar bem sem ela." 

"Fale por você." 

"A tristeza é boa ou ruim, Mari?" 

"Rafael, eu poderia falar contigo sobre isso por uns 20 minutos, mas serei objetiva: Ruim, ruim, mas ela me trás coisas boas. A tristeza me faz sentir a vida com mais profundidade e por mais doloroso que seja ela me permite viver uma parte da vida que talvez eu não conhecesse ainda, e por mais que doa muito, em última instância tudo que resta em mim é sentir e o pior que pode acontecer comigo é sentir."

"Pode algo realmente ruim acontecer?" 

"Por sentir tristeza?" 

"Isso. Pode algo realmente ruim acontecer?"

"O pior que pode acontecer é sentir, porque o sentir muito custa"

"Mas então, Mari, existem emoções boas e ruins?"

"Você quer que eu responda que sim, não é?"

"Não sei"

"Acho que não, mas... sim?"

"Não, Mari."

"Ah, isso não vale, eu havia acertado lá no começo"

"Não tem certo e errado."

"Rafa, posso mentir nas sessões?" 

"Você que sabe, Mari"

E sobre a dor? Deixa eu te contar: Segundo o Rafael não existem sentimentos bons e nem mesmo sentimentos ruins.
E quer saber? Ele está certo.
Os sentimentos nos fazem sentir e disso não passa, obviamente que algumas ações são consequências do que sentimos, mas isso podemos controlar, não é?

-Podemos?

-Nossas ações? Podemos, claro que podemos. 

-Nosso sentir? 

- Esse não.

- Mas podemos comer pizza para ficar feliz?

-Exato, eu disse para o Rafa, mas você quer saber sobre por que escrevo sobre a dor? Porque eu transcrevo a vida em palavras, uma pequena porção do que podemos chamar de vida e dela faz parte a dor. Um dia, um dia irei ler muito disso e entenderei, mas a dor já não mais sentirei, entende? 

-Você é muito sincera. 

- Era pra ser diferente? Escrevo sobre a dor porque eu sinto e melhor assim, não? Eu aprecio a vida em seus mais diversos aspectos: Se dor, então dor, se amor? então amor. Sinto tudo, exceto apatia, mas hoje eu vi um passarinho amarelo tomando Sol e eu apertei meus olhos para conseguir enxergar ele em meio as folhas daquela árvore que tanto amo, cheia de flores rosa, portanto, hoje, se me pedir para falar sobre a dor com profundidade eu irei te dizer que o passarinho voou e eu nem sei te dizer se foi para o Norte ou Sul, porque não sou boa com isso.

domingo, 22 de março de 2026

Relato (1) - Marco zero

Se você um dia se perguntar quando foi que iniciou-se a decadência desse blog eu vou facilitar para você: Foi bem aqui.

Por onde eu começo? Escrever faz parte de quem sou e eu escrevo de duas formas, uma delas mais artistica, polida e com muito mais qualidade e a segunda uma forma mais solta, em fluxo de pensamento onde compartilho contigo, sem rodeios, pensamentos sobre a vida em seus mais diversos aspectos.

E eu gosto das duas formas. 

Por diversas vezes, amado leitor, minhas ponderações vem cheias de espinhos e existe essa parte ácida que compõe parte de mim, mas é apenas para equilibrar o doce. Vai por mim, eu seria muito desinteressante e enjoativa se em mim existisse somente a parte doce. Portanto, sim, por vezes áspera ao tentar te chacoalhar através de 15 linhas escritas umas tantas da manhã, mas a intenção é sempre boa. 

Isso tudo aqui se encaixa na segunda forma de escrita que citei, lembra? Mais crua, mais impensada, mais natural. 

Ou você pensa que eu uso palavras como "circunspecta" "recondito" em uma mesa de jantar? 

Como eu estava dizendo essa escrita aqui é mais ... mais crua e dela gosto, mas com ela tenho certas ponderações que me fizeram, por muito tempo, me perguntar se ela aqui deveria estar. 

-Marina, você manda nisso tudo. Faz o que você quiser guria. 

E assim o fiz e decidi chamar esses textos de "relato" e agora sim, estou livre. 

Tornar esse blog um diário não foi e jamais será minha intenção, no entanto, o que é um diário, afinal? Se um diário for um lugar onde você conta acontecimentos sobre seu dia, em detalhes, então não, não é um diário, afinal, nem somos intimos assim. Isso daqui é tipo uma conversa de bar, mas eu vou ser sincera, a única vez em que fui a um bar minhas amigas e eu jogamos sinuca e eu não me lembro de nenhuma conversa parecida com o que falo por aqui. Mudando de assunto: Acho que registrei essa semana meu primeiro cabelo branco -Não sei se é realmente branco ou um fio mais claro - 

Meu Deus, já? "Amado leitor o tempo te pegou de jeito" disse eu em Fevereiro de 2019 e hoje em Março de 2026 estou te contando sobre meu primeiro fio de cabelo branco. Um brinde, agora somos dois? 

Você achava mesmo que minhas criticas eram direcionadas a você por algum tipo de maldade? Estamos no mesmo barco. Você e eu.

Serve pra você, serve pra mim e eu posso estar errada também, é possível que sim, mas a Mona Lisa discorda.

Ainda sobre as criticas feita nesse blog: É cuidado, amado leitor, cuidado e preocupação que você pela vida passe de maneira desatenta e ingrata.
É claro que você sente e já sentiu com intensidade, não pense que de ti faço pouco...
Eu só... acho a vida linda, verdade seja dita. 

Vou te contar uma coisa o presente é a constante despedida.
Você ganha um minuto novo de vida para fazer dele especial e ele logo é guardado em memória. 
Essa parte vai pesar um pouco: Eu sempre vivo como se estivesse me despedindo. Isso me dá um nó na garganta e faz meus olhos marejarem porque isso é muito intimo e falar isso em voz alta é doloroso, mas vou te falar o porque: 

O nome desse blog é discorrendo sobre a vida, certo? Acho que eu tinha 18 anos quando criei ele e eu acertei em cheio.

Esse blog é justamente sobre isso: Sobre a vida e sobre ela discorrer. Ponto. 

Sendo assim não tem como não falar sobre a morte sendo ela parte do processo, entende?
E, ah, que tema espinhoso, você não acha? 

Sabe que... Algumas culturas falam sobre a morte abertamente, eles inclusive celebram. 
Eles enxergam a morte como um recomeço e não como o fim, mas nós brasileiros -E irei falar somente de nós - independente de nossas crenças vemos a morte com muita dor, não é? E eu? Eu não sou a pessoa que será capaz de aliviar as coisas para você, mas eu serei a pessoas que irei te lembrar dos prazeres da vida, e principalmente daqueles pequenos que você ignora, mas você e eu não somos assim tão diferentes e a verdade é que esse blog sempre foi por mim e para mim.

Por mim e para mim porque a ausência de pessoas aqui, vou ser sincera, me deixa em paz. 

Então isso daqui foi uma introdução, não foi? 

Ah sim, uma introdução a decadência desse blog! Fantástico, fantástico. 
Então dessa vez eu vou chamar esse daqui de - Marco zero.

Se for mesmo um cabelo branco você pode esperar de mim uma pessoa mais sábia e culta nos próximos textos, inclusive, já exijo mais respeito: Então, senta direito quando for ler esse blog aqui. 









sexta-feira, 20 de março de 2026

Reverso

Pega o violão e puxa um solinho vai. 

Charlie Puth - attention - fingerstyle. 

Bem melhor assim, agora gente pode conversar.
Está quente, não? Idealmente quente. 

Amado leitor, eu só finjo saber das coisas, mas eu não sei de absolutamente nada.

Pega algo para a gente beber?

Senta aqui.

-Não vai gostando não, vai por mim-

Posso abrir o jogo?

(_________)

Apaguei. 

Fui má novamente. 

Vou tentar de novo: Deveras passivo você.

Fala que eu errei vai... 

Absolutamente pacato. Pelo amor de Deus, diz que eu errei? Que eu estou errada? Que os cantos da boca não tem linhas porque de certa forma sou uma idiota que não entende a vida.

Que o Sol é majestoso e nunca intencionalmente me queimou, que eu, somente, deveria usar um protetor solar melhor. Que tem sim um montão de gente interessante com quem eu poderia perder 2 horas, 2 dias ou até mesmo 2 vidas, mas eu simplesmente ignoro absolutamente qualquer pessoa que tenta sequer, minimamente, se aproximar de mim. Que Cascavel nem é tudo isso. Que a galeria mudou da alegria para a tristeza e que daqui a pouco a alegria volta - Já não voltou?-. Que existe flor mais cheirosa que o Jasmim e que da para ouvir o vento sem pensar em poesia.
Que segurar as chaves é o minino que faço ao subir as escadas em respeito aos outros.

Que eu digo que escrever é o "não controlar", mas eu sou uma hipócrita porque toda vez que sai algo muito intimo aqui eu apago e quando o texto se torna muito transparente eu salvo em rascunho.

Que em meus textos e conclusões errei. 

Por que, leitor? Por que se acovarda?

Por que leitor, sempre na posição de telespectador? 

""Ah, mas eu sou somente o leitor""

Dane-se. 

Me critique, me julgue, me fale absurdos.

Quer saber? Sei quem já com raiva falou comigo, não pela ausencia de sentimento, mas pelo excesso, agora você?

Sua apatia me... Deixa... Não, não, não.

Aproveita sua bebida, sério. Curte a noite. 

Perdão... quer falar algo? 


É claro que não. 

Fluxo de pensamento - Acho que 2

 Os últimos textos foram tão bons que acho que sou incapaz de escrever algo assim novamente e o nome desse daqui será: Fluxo de pensamento.

É fato, conhecido, que a tristeza é sim grande amiga da arte, mas ela já não é mais assim tão presente em minha vida, e como consequência disso meu QI vai cair em uns 30 pontos ao voltar a ser a pessoa que normalmente sou.

Ao subir as escadas, seguro meu vestido longo enquanto minhas chaves fazem um barulho descontrolado por todo meu caminho até meu apartamento. 

O Sol da manhã invade todo o lugar e quando anoitece eu vejo janelas iluminadas. Elas ficam longe o bastante para eu não me sentir invadida e perto o bastante para eu não me sentir tão sozinha.

É engraçado que pode parecer triste quando digo  "não me sentir tão sozinha"

Está com dó de que? 

Eu não queria mesmo ninguém aqui, afinal, tem muita gente no mundo, não? Se eu quisesse seria fácil de resolver, mas eu não quero, no entanto, também não quero olhar pela janela e ver apenas as estrelas.

Talvez eu tenha mudado. Talvez tudo tenha mudado.

Ver as janelinhas iluminadas me faz refletir sobre o quão vasto é o mundo e o quão boba sou. O quanto tenho ainda a aprender e o quão generosa a vida é comigo quando subo as escadas ouvindo o tilintar das chaves e vendo o brilho das janelas. 

Sentindo o aroma do café enquanto abro a casa toda para que aquele vento que ouço uivar o dia todo possa chegar mais perto de mim e por mim passar. 

A felicidade é, afinal, rasa..

Se você não consegue rir de algumas banalidades da vida talvez algo já esteja morto em você. 

A vida acontece assim: Aquele cliente chato que consegue despertar em você um tipo de raiva que você não sabia que existia, é perder aquele objeto importante e gastar horas procurando, é a ansiedade em comprar um guarda roupa novo e sentir o cheiro de madeira transpassando a embalagem. Tem dias que nossa casa cheira café, em outros a comida que foi preparada no dia anterior, as vezes o cheiro das rosas que na mesa estão, as vezes cheira flores mortas e delas me livro com pequena tristeza. 

As vezes o copo de água vira na mesa, mas graças a Deus que não queimou meu teclado e Sexta passada foi minha primeira vez usando batom vermelho após longos meses. E eu fiquei linda, mais do que lembrava. 

Há algums semanas estourei a corda do violão do pai da minha amiga e ele tirou um jogo de cordas novo de dentro do violão e me disse:

-A gente faz assim, Marina.

E com ele aprendi.

Foi a mizinha, obviamente. Sempre é. 

E teve dias onde me abracei aos livros e implorei a meu pai quue não tirasse do armário dele porque um dia eu guardaria em uma estante minha, e hoje desses mesmos livros me despeço.

É comer o queimadinho do bolo e achar crocante e um grande acerto e de repente chegar na parte amarga, mas eu amo "crocante".

Uma vez uma amiga me disse:

-O crocante é tão crocante que deveria ser crocrante. 

Assertiva ela, não? 

O que você espera da vida, afinal? Qual é o grande acontecimento que você espera? Você vai ser mesmo miseravelmente duro e insensível para ter em gotas contadas sua felicidade? Dane-se se bateram em seu carro. Você está bem? logo você nem estará mais aqui.

Talvez hoje a vida tenha te reservado a água quente escorrendo por seu corpo em um banho longo, talvez ela tenha reservado a chance de ouvir a voz daqueles que você ama ou uma brincadeira besta que te faz rir até quase fazer xixi nas calças com sua barriga doendo e você implorando para parar. 

Talvez a vida hoje tenha te reservado a água gelada depois de uma corrida, 

Eu que sou intensa demais? ou vocês que estão loucos esperando a vida chegar enquanto ela por ti já passa e passa e passa e você espera e espera e meu bem, espera o que?

Sim, você pode viver momentos extraordinários.
Sim, você pode visitar lugares fantásticos.
Sim, você pode construir a vida dos sonhos, mas eu juro, juro que a felicidade não mora no brilho de um piso caro em um casa com quartos inúmeros. 

A felicidade mora no saborear da vida.

Talvez você não tenha mais tanto tempo, meu bem. 
Não leve a vida tão a sério, talvez derrubar aquela prateleira e passar vergonha seja uma boa história daqui a pouco.

E é por isso, é por isso que eu odeio pegar meu celular enquanto tem o sol batendo em meu rosto.
Parte de mim odeia o que a sociedade se tornou, outra parte se sente sozinha por meu jeito de ser e sentir e outra parte? outra parte gosta das janelas. 

segunda-feira, 16 de março de 2026

Epitelial

...E a dor sempre volta.

- Volta? 

Volta e sempre vai voltar. 

Viver é, em grande medida, sofrer e aprender a viver apesar da dor é o que chamamos de amadurecimento. 

-Amadurecimento?

Sim, amadurecimento. O amadurecer é endurecer. 

- E precisa endurecer?

Endurecer não é uma necessidade, mas uma consequência. 

O amadurecimento é como uma armadura. Antes do amadurecer as coisas nos atravessam.

- Essa armadura pesa?

Pesa quando ela começa a ser forjada em você, porque ela não é uma armadura que se veste.Existem armaduras feitas de vários materiais, sabia?  Essa é feita de epitélio. 

-Epitélio?

Epitélio é pele. Sua própria pele. 

Então, se pesa? Dói absurdamente quando é em ti "costurada" pela vida, mas não pesa. 

Sabe o engraçado?

- O que?

Com o tempo passa a fazer parte de você e se torna algo bom.

- Algo bom? Mas não dói?

Dói só no começo, depois vira parte de você e é daí que vem o termo "casca grossa"

- É sério?

Não. Eu inventei essa parte, mas faz sentido não faz?

- Faz. 

O que quero dizer é que essa "armadura" nada mais é do que seu novo eu.

Existem vantagens, inúmeras, você se torna mais forte. Incrivelmente mais forte, mas o absurdo é que essa armadura tira a sensibilidade, sabe?

-Tipo coçar as costas?

Não exatamente. Ela não deixa você sentir o afago. 

- Afago?

Carinho. Afeto. Você ainda não entende muito bem. Ela tira sua chance de tentar e ver que não é todo mundo que quer machucar a gente, sabe? E a armadura...

- É contra machucados?

Você ainda é tão nova. 

- Mas é contra machucados?

A armadura protege. Protege de tudo e cumpre bem o propósito, mas deixa o coração tão longe da superfície que te tira a chance de alguém segurar ele. 

- Alguém pode segurar nosso coração?

Segurar, beijar, espremer e ...

- Meu Deus. 

Nem me fale. 

- Eu não quero que segurem meu coração.

Você vai querer. 

- E se...?

Deixa. Vale a pena. 

- Mas e se... ? Eu vou morrer?

Morre o antes. Morre você antes da armadura. 

- E o que acontece depois?

Eu não sei.

- Me fala!

Eu não sei mesmo!!

Sei até onde te contei, mas talvez, algo me diz, algo me diz que existe algum tipo de amor capaz de tirar essa armadura. 

- Tipo uma cura?

Tipo isso. 

-  E você quer?

Não. Eu não sinto, afinal. 

- Por causa da armadura?

Sim, por causa dela, mas quer saber um segredo?

- Qual? 

O coração ainda está lá e a lembrança do que um dia foi também está. 

- Lembrança de alguém? 

Não. Lembrança de si mesmo.

- Tempos gloriosos? 

Hahaha, tempos gloriosos. 

- Quais?

O amor, meu bem. O sentir amor.

- Sentir?

Voce não deveria dormir? Eu acho que já está tarde e amanhã, amanhã será um novo dia.

- Você continua amanhã?

Não, amanhã a gente fala de outra coisa.

- Mas...?

Mas... Você não precisa se preocupar com isso. 

- E você?

Nem eu. Eu tenho a armadura, lembra? 

Agora vai ficar tudo bem.



*Epitélio estratificado pavimentoso queratinizado.

domingo, 1 de março de 2026

Vou chamar de arte














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