sábado, 20 de junho de 2026

Relato (7) - Para todos os ratinhos

O ato de escrever e salvar em rascunhos é um caminho praticamente sem volta. Eu disse: Praticamente, e se você não entende o que digo eu te adianto a sensação: Escreva ai meia dúzia de opiniões não tão superificais a respeito de algo, agora pense em compartillhar isso com pessoas conhecidas e o botão de apagar vai ser usado constantemente.

Acho que o mundo de forma geral anda com um baita medo e eu faço parte de quem tem medo. 
Atire uma pedra quem nunca pensou no que os outros pensariam.

E sabe quem são os outros? Você sabe, não é? 

Vou ser sincera aqui, como sempre fui: Sempre me embrulhou o estômago quando alguém iniciava um assunto sobre: 

-Você viu fulano... agora está... 

As pessoas são cruéis e há algum tempo eu decidi uma das decisões mais dificeis de minha vida: Não deixar minha vida em um rascunho e hoje penso pouquissimo no que alguém pode vir a pensar de algo e a escrita é uma grande questão, não? A escrita é muitas vezes subversiva, então para seu e meu acalento tenho duas noticias, uma ruim e uma boa: A ruim é que sempre existirão criticas sobre você, seja você quem for e como for e a boa noticia é que sempre existirão criticas sobre você, seja você quem for e como for.

Ou seja, você é livre. 

Ei, pare de fazer pouco de minha conclusão. É mais profundo do que parece. 

Somos definitivamente pequenos e um tanto quanto irrelevantes, não para quem nos criou -e obrigada Deus por me fazer assim.-

Lembro que uma vez alguém me disse que eu tocava violão e gravava para chamar atenção. O que eu vou falar agora vai soar poético, mas não é o objetivo: Toquei violão em noites quentes, dias frios e enrolava fita crepe em meus dedos que sangravam aos 15 anos. Tocaria para uma platétia, mas também tocaria em um buraco sozinha e se crime fosse eu encontraria um jeito de esconder em algum lugar meu amigo para eu poder ouvir os sons das cordas quando meu coração apertasse pela frieza do mundo. 

 É uma roda-gigante de ratos.

O de cima rindo do que está embaixo, o de baixo invejando o que está em cima e o de cima julgando o de baixo enquanto se espremem tentando manter uma "boa postura" na roda, mas veja, é uma porcaria de uma roda-gigante e, querido rato, sua postura nunca será boa o bastante, então descanse antes que a roda pare de girar.

A cabine pode até ser vista por quem está do lado de fora, mas sabe a mágica? Você manda nela. Esse cubículo, criticado, observado com altas ou baixas expectativas, com gente à espreita querendo ver você se dar mal e aqueles poucos torcendo por você... Esse cubículo na roda dos ratos é seu.

E esse texto é somente um reflexão, nada além disso. 
Eu posso falar o que penso, do jeito que penso e ainda tem meu nome aqui e se você não conseguiria fazer o que estou fazendo agora eu te digo de coração: Eu sinto muito.
A vida é "mó" curtinha e eu decidi gastar a minha sendo eu e respeito quem diferente disso faz porque sei o peso desse fardo. 

Que a vida lhes permita ser mais do que apenas sombras. Logo tudo acaba e quem foi você? 

Dance ratinho, dance. Nem quem está acima, nem quem está abaixo.

Dance ratinho, dance. Viva e não se iluda com o relógio quase batendo meia noite.
Excessos, ratinho. 
Excessos e eles são muitos, mas o tempo é escasso e o relógio vai voltar todos os dias, mas talvez não para você.

Dance, ratinho.

Você sabe quem são os outros?
Os outros são somente os outros.

Dance, ratinho. Dance. 

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Relato (6) - Quantos invernos?

 Eu preciso ser honesta, somos um tanto ingratos, não? Não é muito de mim viver a reclamar pelos cantos, mas acho que sou sensível ao calor e ao frio, portanto, em dias muito frios ou muito quentes eu sofro, mas por muito tempo fui contra o inverno e se pudesse levantar um movimento para o cancelamento do inverno eu seria a primeira pessoa a assinar. 

24 de Junho de 2025 = -1 grau em Cascacity.

-1 grau. Esse dia foi doloroso e parece que muitos invernos me foram necessários para aceitar as estações. Aceitar o calor escaldante e o frio congelante. Hoje, 08 de Abril eu senti pela primeira vez meus braços arrepiarem de frio em 2026. Hoje usei aquele salto que tem a cor do Outono e pintei as unhas com a cor que combina com meus olhos e também com as folhas secas.


Existe algo interessante sobre o qual não pensamos muito, na verdade, algumas coisas. A primeira delas é o fato da vida ser um presente e nós estarmos desejando sempre muito dela quando o melhor da vida já nos é dado: Viver. 

Viver e experienciar a vida em seus dias quentes e frios. Esse texto não é profundo e embora exista uma voz dentro de mim me dizendo: "Marina, você não precisa interpretar as coisas por seu leitor, ele consegue chegar as próprias conclusões." Eu continuo a explicar.

Não. Não estou interpretando.
A gente só está falando um pouco sobre alguma coisa, não é? E eu só disse: Não é profundo, e aliás, não tem intenção de ser. Acho engraçado eu falar coisas como "desejamos muito da vida" quando na verdade sempre fui eu a pessoa pilhada que nunca relaxou, mas verdade seja dita, sempre fui feliz fazendo coisas simples, mas também é verdade que sempre busquei algo extraordinário da vida.

Atualmente o extraoridinario é relativo -Não foi sempre?- 

Talvez você não entenda, mas vou te dar um spoiler: Você, provavelmente, está vivendo um dos melhores momentos de sua vida. O que vou dizer é bem obvio, mas estamos sempre correndo em direção ao futuro e ansiando por ele, sem perceber que para lá estar você não estará aqui e estando lá também não terá coisas que aqui tem, no agora.

Eu sou muito organizada e por conta da mudança não tinha muitos móveis, porque quis mudar muitas coisas, então coisas demoraram para ser montadas e nos primeiros dias eu pagava uma caixa, colocava no chão, mudava outra de lugar e, meu Deus, quantas caixas pesadas. Depois de 10 dias e ainda sem os móveis, pois ainda não estavam prontos,  minha vontade era de simplesmente jogar as caixas janela abaixo e eu sou paciênte, mas me peguei desesperada pensando: Eu não aguento mais essas caixas pesadas e erguer e soltar e empilhar e eu senti sentimentos péssimos, mas sabe, eu lembrei de uma coisa. 


Quando eu era criança, na quarta série, meu pai me buscou e eu estava finalizando minha quarta série. Com aquelas criancinhas eu havia estudado por muitos anos e tinha elas em meu coração. Um dia, em um final de tarde em Dezembro meu pai me buscou, eu acenei minhas mãozinhas dizendo "Eu volto visitar vocês" Eu sabia que estava indo para outro colégio, mas imaginei que iria logo ver eles novamente e nem um abraço eu dei. Eu nunca mais voltei, mas eu era criança e não sabia, eu não fazia ideia. 

Meus braços já machucados por tanto erguer as caixas e eu me peguei pensando: Quantas mudanças eu ainda farei? Eu não sei.
Respirei e parei de odiar as caixas que com tanto amor organizei em 2 noites sem dormir e escrevi em vermelho: Frágil: Copos e xícaras. 
Roupas de inverno.
Roupas de cama.
Escorredor de louça + faqueiro + outros itens. 

No final da mudança a gente tomou uma coca bem geladinha:
-Você é de Deus mesmo, moça. 

E quando me peguei sentindo raiva das caixas e do mini caos, eu lembrei que a gente nunca sabe. 
A gente nunca sabe. 

Pode vir inverno. Não sei quantos ainda terei, espero que muitos, mas prometo não reclamar dessa vez. 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Relato (5) - Baixa pace

Eu gosto de escrever sem sentir que estou tentando provar algo, sabe? Até porque nunca estive e nos últimos dias tenho pensado muito sobre o quão diferente são as pessoas e que apesar de muito empática sempre tive um pouco dificuldade em entender determinadas coisas, sendo uma delas o parar e os limites físicos.

Eu sempre peguei absolutamente pesado comigo, não em tudo, mas em muitas coisas, e pra mim ignorar a dor e seguir sempre foi não somente fundamental como básico.

Já me lesionei mais de uma vez correndo, por não respeitar meus limites. Uma dessas vezes mesmo sentindo muita dor eu lembro de não parar, simplesmente porque algo dentro de mim me dizia: É sério que você vai parar?

-Ao leitor desavisado aviso: Isso daqui não é, de forma alguma, um jeito de me vangloriar, muito pelo contrário, é um alerta - 


Quando eu estudava para o vestibular lembro que mesmo sentindo fome eu não parava para comer. Lembro de pensar: Não posso comer se ainda não entendi isso e continuar por mais muitas horas, não é com orgulho que conto isso mas eu desmaiei, umas tantas vezes. Eu era muito nova, muito nova mesmo e sim, sinto vergonha ao lembrar disso.

Se por algum motivo eu precisasse fazer algo eu simplesmente fazia. Lembro uma vez de um cachorro que havia sido atacado por um porco-espinho. Um vizinho precisava de ajuda, eu era criança e com um alicate eu ajudei a tirar os espinhos. De fato, sem muito pensar, porque precisava ser feito, mas por dentro eu estava me contorcendo de dor por aquele cachorrinho e aquela cena foi demais pra mim, mas com o alicate eu fiz o que precisava ser feito e:

-Cuidado para não quebrar o espinho. 

Não vou descrever. Foi feio.

Lembro quando li 13 livros, 13 ou 12, não me recordo bem, mas fiz isso em 1 mês porque a UFPR cobrava esses livros na prova.  Eu achei um absurdo pedirem tantos livros e sabia que poderia ler o resumo, mesmo assim, decidi ler os livros. Eu lembro do pessoal discutindo sobre quais eram mais importantes e enquanto eles discutiam eu levantei e fui pegar o primeiro livro para começar.

"Vai chorar? Precisa ser feito, Marina. Não importa como fará"

Essas coisas todas que estou citando são coisas que fazemos e se não reletirmos sempre iremos fazer. 

Eu lembro de ler aqueles livros por dias a fio e lembro de dormir poucas horas.  Comer lendo, dormir lendo e até chorar enquanto lia, porque não tinha tempo para chorar, precisa ler 40 páginas ainda naquele dia e resolver mais algumas questões.

Esse texto aqui é somente uma reflexão a respeito de como somos construídos e o quanto a não reflexão sobre nossas ações podem nos levam ao sofrimento. 

-Você toma remédio quando sente dor, Mari?

- Quase nunca, por que? Você toma? 

- Tomo Mari, eu não gosto de sentir dor.

(Julguei) 

Eu julguei! 

E depois disso meu estômago revirava -por ter julgado - enquanto eu pensava... O que eu fiz de tão errado nessa vida para pensar que eu não mereço sequer um alento? Sequer um alivio em meio ao sofrimento? Quiçá um remédio? 

- Mari, é preciso sofrer?

- O sofrimento é intrínseco a vida, não? 

- E a gente pode diminuir? 

Eu não preciso te contar tudo até porque aqui a gente vai somente até onde eu quero que vá, e você, caro leitor, apenas observa e julga, mas espero que reflita mais do que julgue, afinal, sou honesta aqui e você comigo nada compartilha, então não seja tão covarde. 

Lembro do dia que minha amiga disse: 

-Mari, preciso parar, fiz uma bolha em meu pé.

No dia anterior eu havia feito 2 bolhas. Eu não julguei ela como fraca, mas eu pensei:  

As pessoas param? 

-É obvio que as pessoas param, Marina. 

Obvio para você. 

Apesar de sentir a dor eu sempre tive comigo que precisava aguentar. 

- Se você não aguentar você é fraca, Mari?

- Sim.

-E por que??

- Por que eu deveria aguentar.

- Deveria?


Deveria? 

É interessante isso. É interessante pensar como funcionamos e como cada um de nós foi construído, eu sou grata a disciplina que tive em minha vida em tantos momentos. Sou feliz por conseguir ser forte, mas não é preciso ser forte sempre e talvez para muitos seja obvio, mas eu ainda preciso saber o que é sentar no sofá e ficar sem fazer nada um dia todo. Sentir tédio. São coisas que eu confesso, eu não sei, mas posso dizer que os extremos não são bons.

Aliás, ontem foi meu melhor tempo. Boné para me esconder. já dizia meu pai: Não é fácil essa vida de gaiteiro. 

Baixa pace. Baixa, baixa.



terça-feira, 31 de março de 2026

Relato (4) - Since 2010

Você já sonhou com furacões? Eu nunca havia sonhado com um furacão e há mais ou menos 8 meses esse sonho se tornou rotineiro pra mim. É aterrorizante e eu já me acostumei tanto com esses sonhos que em cada sonho que tenho eu tento uma forma diferente de fugir e ficar viva, infelizmente, geralmente não da certo e eu sinto fisicamente a dor desse furacão. Eu sei que é horrível, mas eu já acostumei e acredito em algum desses sonhos conseguirei fugir e permanecer viva. Sendo bem sincera, não me incomoda mais, apenas acho estranho. 

A força de um furacão é absurda e em meu sonho eu sinto toda ela, mas felizmente a tempestade que está chegando no Paraná não vai passar por Cascavel, porque confesso que me apavora a ideia, mas sejamos sinceros, não há motivos, não tem furacões assim por aqui, além disso algo me diz que eu não deveria me preocupar. Sabe por que? Minha casa é cheia de arco-íris e eu não quero nenhuma explicação lógica explicando como eles aparecem em minha casa pelo reflexo ou vidros/espelhos seja lá o que for. Eu não quero ouvir nada disso, eu só olho para eles e penso na aliança de Deus com a humanidade.

Gêneses 9:16 "Toda vez que o arco-íris estiver nas nuvens, olharei para ele e me lembrarei da aliança eterna entre Deus e todos os seres vivos de todas as espécies que vivem na terra”.

Deus, será que ele precisa mesmo estar nas nuvens? Eu tenho alguns aqui dentro de casa. Espero que ainda se lembre.


E por falar em Deus: Eu estava pensando hoje como Deus criou cada um de nós de forma tão singular. 
Eu estava lendo sobre os Socráticos e sendo bem sincera: Você não se entristece como a morte de Sócrates? 
Sempre que penso em Sócrates muito me entristece pensar na morte dolorosa que ele teve que enfrentar - Dizem que ele vivia uma vida de pobreza e que encontrou a felicidade através da Filosofia - 
Você bem deve saber a diferença entre alegria e felicidade, não é?
Eu até ia falar sobre isso, mas acabei lembrando que acho que tenho algumas opiniões impopulares. Meu Deus, uma delas é terrível, minha mãe brigaria comigo, mas irei contar: 
(Será?) A primeira é até tranquila: Sempre gostei do cheiro de tinta ou de algo recém pintado.

A segunda é terrível, hahaha, terrível: Gosto do cheiro de mato queimando, mas odeio as consequências disso:
- Recolhe a roupa.
- Quanta fuligem no chão! 
- Quem é o idiota que taca fogo em pleno verão? 
Eu também penso da mesma forma: Quem é o idiota? Mas eu gosto do cheiro.

Gosto do cheiro de protetor solar, de quase todos eles, mas confesso que o verão desse ano me queimou de um jeito que eu não conhecia ainda e meu braço esquerdo parece estar com febre constante e vermelho. Por dirigir mais do que de costume nas últimas semanas e para você isso pode parecer pouco, mas tudo que eu pensava sobre o verão mudou nesse último ano. Olha que eu, por muito frio sentir, dizia que queria morar em um lugar que fosse sempre ensolarado, mas eu juro, tem sido tão doloroso, acho que não aguento mais um mês desse Sol.

Meu braço queimando há dias e mesmo passando pós Sol... Alguém diz para o inverno que nunca mais reclamo, que serei boazinha dessa vez.

Voltando a Sócrates acho uma lástima.  A humanidade sempre foi maldosa, não é verdade? Que bom que Deus fez a aliança e prometeu não destruir tudo novamente, porque do jeito que as coisas andam é bom ter uma aliança de Deus com a humanidade.

Tem tantas coisas interessantes nesse livro que ando lendo, mas talvez aqui não seja o lugar para aprofundar sobre esse assunto.

- E onde seria, Marina? 
Eu confesso que leio tudo que escrevo e penso "Meu Deus, eu pareço muito solitária, não é?" kkkkk.

Deliberadamente solitária, apenas isso, mas seria mesmo interessante ter um lugar para escrever sobre essas coisas. Aliás: Escrever. Hoje lembrei de algo absurdo. 

Não escrevo desde 2017, na verdade não, antecede 2017...

Hoje me lembrei que com mais ou menos 14 anos o Leonardo - Leonardo, obrigada - que já tinha seus 23 anos me convidou para escrever no blog da igreja: Loucos por Deus e eu aceitei.
Foi ai que aprendi a usar um blog e aparentemente ainda tenho coisas a dizer. Eu publicava uma vez por semana e escrevia sobre temas diversos relacionados a Biblia/vida. 

Eu, em um certo momento, apaguei tudo que havia publicado lá. O  blog morreu e ficaram lá os textos -E eram várias pessoas que publicavam - 
Um dia eu revisitei e fiquei com vergonha do quão mal escrevia...
- Marina, continua meio ruim, não tem como apagar nossa existência!-
Bobagem minha e agora não tem como ter aqueles textos novamente, mas parabéns, Marininha, você havia feito um bom trabalho sua bobinha. 

É... não é possível voltar no tempo. 
Não tem como livrar Sócrates de beber cicuta e depois da fuligem no chão só nos restar lavar novamente o chão e eu até tinha outras coisas para falar, mas meus braços queimam. 









domingo, 29 de março de 2026

Relato (3) - Fotografia

Foto de quem tirou a foto
 Eu sempre gostei de um tipo específico de fotografia e uma câmera sempre quis ter. Eu nunca comprei uma porque acho que sou um pouco timida. Definitivamente não gosto de chamar atenção e eventualmente vejo coisas tão lindas, mas tenho vergonha, confesso, mas eu vejo graça em muita coisa comum e pegando o gancho do começo vou dizer que é justamente desse tipo de foto que gosto. Mais despretenciosas, entende? Registrar a vida e apenas isso. 
Minha mãe tem uma foto tirada por meu pai, em um dia qualquer onde ela fazia panquecas. 
Ela está com o cabelo preso, olha urpresa para ele com a frigideira em mãos e essa foto é a minha favorita.

Eu lembro que há algum tempo eu decidi que sempre que abrisse a câmera para fotografar algo se a câmera frontal abrisse eu tiraria uma foto minha independente do ângulo, independente de onde fosse. 

Fotografia já foi um meio de registrar a vida - Ainda é?-


Um casal se beijando - Foto. 
Já hoje: Hora da foto: Se beijem.

- Não, não, não. Olha pra ela desse outro ângulo. Faz um olhar apaixonado. 

~Faz um olhar apaixonado (?)


Não tem forma certa de se viver, mas o dia que me pedirem para fazer um olhar apaixonado eu vou repensar minha vida.


 




Epitáfio

E no esvaziar dos pulmões, palavras bonitas ditas -a quem?- alguns ritos, formalidades e jaz embaixo da terra alguém que um dia foi. 
No esvaziar do pulmões e no apagar dos olhos, será que o coração aperta? Ou já cansado somente aceita o eminente?
Após dores e dissabores: Lápide. Chão com terra ainda fofa e palavras em uma pedra fria escritas - quais? e por quem escolhidas-?
E o que restava ainda a dizer? o "amo você" é tão sublime que poderia explicar muito do que descabidas linhas não seriam capazes pois, se sincero, após "eu te amo" não há nada mais a ser dito e o que passa disso é um luxo e não mais necessário.
Eu amo você seria suficiente - Por que choras?-
Quem se vai muito pensa em quem ficou e em última instância no apagar da vida: Lembre-se do amor.
Palavras não ditas, momentos não vividos, dores não perdoadas, feridas ainda abertas, planos incompletos, vaidades, vaidades, vaidades que você só entende quando o brilho dos olhos não se faz mais presente e dele a vida já se esvaiu.
O toque das mãos quentes de quem aqui já não mais está. 
É lápide o nome, certo? Pedra fria, perpétua? tal como a morte? Fria. Penso, então, no escrever e no quanto eu ainda diria antes de partir. 
Eu compreendo o propósito do epitáfio, eu bem sei, afinal, não sou eu a que sempre tentou causar um pouquinho de reflexão? Mas não consigo imaginar caber naquela pedra tudo que é digno a alguém.
Talvez o ideal seria: Puxa essa lápide e pega a carta que embaixo dela está, se, se ela não estiver mais aqui você chegou tarde demais ou é apenas um curioso ao qual essa história não deveria interessar: Vá embora. 
(Frases amargas a quem não merece desafeto, mas já é tarde demais)
Pelo calejar dos dedos de mentes brilhantes fizeram-se textos extraordinários que já cravados na história estão. Minha incapacidade é tamanha que nem mesmo o café consigo definir com precisão, e ainda assim escrevo. Petulância? De forma alguma. A vida é brutal e brutalmente linda, em mim ela bate e de mim saem palavras macias e eu queria ser espinho, mas para ser espinho precisa afiar-se mais e eu fujo de tudo que me amola.

O espinho é precisão, penetração e eu olho muito para as paredes e para o teto, sempre a ponderar. 

Eu muito e sobre muito escrevo, nunca me comprometi em fazer algo realmente de boa qualidade, mas prometi colocar meu coração e sinceridade em cada vírgula do que escrevesse e disso, indubitavelmente, fiz e faço, mas se me desse uma lápide? e um epitáfio eu precisasse escrever? Me faltariam palavras, ferramentas mentais, estômago, firmeza e a apátia necessária para que eu escrevesse meia duzia de palavras e fingisse serem elas justas e suficientes. Soluçar meu coração para fora do peito não ajudaria em nada, afinal, e eu sou fraca, fraca demais.

Epitáfios não escreverei, mas de maneira honesta estarei aqui, não por arrogância, mas pela necessidade de exprimir a vida, pois sei que as últimas palavras escritas não serão minhas, portanto, não revogue meu direito de entre a letra maiúscula e o ponto final falar e nada mais peço. 


sexta-feira, 27 de março de 2026

Relato (2) Capis

 

27 de Março de uma noite abafada. 

Após 9 anos eu ganhei a permissão para escrever como eu bem entender.
9 anos, hahaha, e tem gente querendo que eu facilite.

As capis não estavam aqui quando cheguei, elas chegaram agora pouco, correram em frente ao carro e eu quis tirar uma foto para garantir que não estou enlouquerendo.
A verdade é que eu sempre gostei muito da natureza e tudo que Cascavel me oferece nessa Sexta a noite não me apetece mais do que estar aqui no meio do nada sentindo o cheiro de mato e ouvindo barulhos que os bichos fazem lá pelas 9 da noite.


Lá onde eu moro eu ouço muitas coisas diferentes das que costumava ouvir.
Ouço o pessoal do exército correndo e gritando "Hop hop, ... hop hop..." e também ouço os passos das pessoas que passam na rua. Tem gente que passa cantando, mas apesar de minha descrição soar muito como um lugar movimentado é na verdade um lugar calmo, lindo, cercado de árvores e parece ter saído de um livro. 
"Hop, hop... hop, hop..."

Existe uma coisa chamada espaço pessoal, sabia? É claro que você sabia, essas perguntas são retórias e existem só para deixar o texto mais fluido.

-Me deixa. 
O tal do espaço pessoal é um dos grandes problemas da minha vida.
-Te falta problemas, mocinha.
Vou explicar melhor. Não gosto muito de interações, e é doido porque acho que ninguém que me conhece pode dizer isso, mas é verdade. Talvez uma pessoa atenta perceba que respondo msgs a cada 10 dias e eu juro, está tudo bem comigo, eu sempre fui assim.
E, de fato, pode parecer confuso, pois eu posso conhecer alguém pessoalmente, conversar e a pessoa pode gostar muito de mim, mas eu nunca mais responderei.
- É uma falta de respeito, Marina.
- Será que é? Responde você então. Estou sem tempo. 
Lembro que na época do colégio nós sentavamos em roda e tocavamos violão por três dias seguidos e depois disso eu desaparecia, na biblioteca para poder ficar sozinha. Meu pesadelo era quando meus amigos me encontravam lá. 
- Bora, Mari, bora. Chega, a gente veio te salvar.
Sempre gostei dos meus amigos, mas sempre precisei estar sozinha e eu nunca consegui sobre isso falar ou esclarecer para as pessoas. 
-Sobre isso o que, Mari? 
O texto vai ficar prolixo, mas é para isso que existe essa parte aqui chamada de relatos, então, vamos lá: 
"Hop, hop... hop, hop..."
Existem as pessoas timidas, certo? Você sabia que tem gente timida que tem vontade de interagir, mas não consegue? Nem toda pessoa timida quer se isolar, sabia? Tem muita gente timida que, na verdade, fica observando as interações e quer delas participar, mas não consegue. Interessante, não? Tem gente que fala pouco mas adora estar ouvindo. Já eu sou o oposto. Tenho facilidade em interagir, as pessoas gostam muito de mim e por me comunicar bem as pessoas querem continuar a comunicação, mas eu não quero. 

- É falta de educação, Marina.
- Ah, eu já tenho 29 anos. Me deixa, vai. Não quero fazer média com ninguém. É muito raro eu querer responder msgs, por que fingir? 

O problema não são as pessoas.
- kkkkkkkkk, essa é boa, né? 
Eu tenho outra melhor que essa:
-Vou te libertar para você ser feliz.
Passarinho criado em cativeiro morre quando abre a gaiola, o tal do libertar por amor é tão cruel as vezes, né? 
Mas quem que compra essa? 

Mas a questão das pessoas? sinceramente? Não tem nada errado com as pessoas, absolutamente nada, tem pessoas interessantes, mas acredito que seja introversão a resposta para tudo isso. O lado negativo disso é que entristece pessoas mais sociáveis e acredito que eu seja uma "falsa" sociável, não no sentido de "falsidade" mas no sentido de "parecer e não ser" porque de fato eu pareço mesmo ser a pessoa que será sua melhor amiga até a morte, sempre batendo papo e sendo presente, mas infelizmente não.

Não sou a amiga grudenta, nunca serei, mas se precisar de alguém para estar contigo em um hospital por noites e noites, eu estarei lá. Se precisar de algo no meio da madrugada, eu irei, mas não me manda msg. O tom desse texto é péssimo, mas é honesto. Tem coisa muito pior, vai por mim. 

No entanto existe algo muito legal que pode acontecer e pra mim é quase um milagre.
1-O portão do espaço pessoal.
Existe esse portão que fica cadeado porque eu muito me assemelho a uma velha ranzinza, do lado de fora do portão, do lado de fora, mas se alguém tiver a senha... a senha do cadeado, é impressionante.
Fico impressionada com o fato de eu desejar responder e até mesmo ansiar por receber uma msg e pra mim isso é atípico e eu não mais sinto desconforto, porque se torna parte daquele espaço. 
É tão doido isso. 
Pra mim é um sentimento absurdo, porque não me pesa e eu poderia perder uma vida inteira, mas acho tão dificil de aceitar alguém dentro desse espaço, sabia?
Não é maldade, nem seletividade.
-Você é muito seletiva.
- Sou, mas não é isso. 
Só me incomoda demais essas interações e eu as evito. Eu me sinto invadida porque não bastando as pessoas mandarem msg elas querem resposta.
Meu Deus, pesei a mão. 
Mas veja, não tem como me levar a sério. Releve. Sou um bicho do mato mesmo, mas não tem como saber só de olhar.








quarta-feira, 25 de março de 2026

Azov

Abro a janela e o céu parece ter uma cor opaca.
É como se eu pudesse arranhá-lo e embaixo das minhas unhas ficariam os residuos dessa névoa que ele cobre, mas o céu é grande demais e minhas unhas curtas demais.
Abro a janela e o vento não me abraça, ele simplesmente por mim passa, ignorante, passa com a indiferença que existe em toda natureza para nos fazer perceber que, de fato, nada somos e hoje eu só queria sentir o frio. 

Nenhuma estrela no céu e ao olhar pela janela vejo o céu do começo ao fim.
Se eu pudesse limpar o céu desse opaco que o envolve para trazer a ele novamente a alegria dos dias de verão, assim eu faria?

A estação mudou e eu não sigo o calendário, mas senti em minha pele, assim com tantas outras coisas.
Dia 20, diz o calendário.
Dia 25, digo eu.

Dia 25 o outono soprou e o céu mudou, assim como a luz que por aquela porta entrava e me cegava há alguns dias, hoje, muito mais educada, meus braços não ousou queimar. 

Eu já passei por quantos Outonos? Eu não sei. Nasci na primavera e ao polén sou alérgica, meu nome significa "Aquela que veio do mar" e... e talvez assim tenha sido mesmo. 
O ser humano conhece mais sobre o espaço do que sobre o fundo do mar e talvez seja por isso que acho mais fácil olhar para o céu e ele querer arranhar ao invés de mergulhar em mim mesma. 
Abisal: É a parte do oceano caracterizada por ausência total de luz, temperaturas extremamente baixas e altissima pressão.

"Aquela que veio do Mar"

Qual mar? eu me pergunto. 

O céu continua opaco. 
Acho que são nuvens carregadas, mas se esfriar demais não vai chover, porque para chover a temperatura não pode estar tão baixa, mas nesse momento, sinceramente, o que posso considerar baixo o suficiente? 
Eu sei te dizer: A fossa das Marinas. 

Não queria que esse texto ganhasse esse tom de riso, mas o que seria de mim sem o riso?
A fossa das Marinas é o fundo mais  "profundo" do oceano.

Eu já estive lá, é verdade o que dizem.

Eu não queria pessoalizar esse texto, mas fica dificil quando chamam de "fossa das Marinas" 

Existem tantas coisas que não entendo e as vezes eu gosto de ficar na ignorância para poder continuar olhando para o céu e continuar tendo dúvidas sobre "Como pode o céu e o mar serem tão parecidos"? Ambos imensos, lindos, assustadores e esculpidos por Deus em cada um de seus detalhes. 

Mar Azov, acho que foi de lá que vim. 
O Mar Azov  é o mar com menor profundidade do planeta, mas a luz dele, a luz dele permite uma rica vida marinha.
Não tão profunda a ponto de me tornar completamente obscura e sem vida.
Geralmente na profundidade a vida tende a diminuir, mas eu vejo na  profundidade um convite a vida.

Azov. Azov.  




Árvore de flores rosa

- E você só sabe escrever sobre a dor? 

- Mas poxa vida, escrevo um montão de coisas legais! 

- Mas e a dor?

- Vem cá, você está com tempo?

- Um tiquinho de tempo. 

- Pode ser. Sobre a dor escrevo, sim, porque acredito que nesses momentos fico mais reflexiva e coloco pedaços dessas reflexões no papel. Só isso. Sei que não é uma resposta extraordinária, mas é a resposta honesta.

- Mas sente muita dor? 

- Ah, eu sinto a vida de maneira intensa, mas nos momentos de felicidade eu não estou aqui, somente em alguns, entende? Sabe uma coisa engraçada? Eu disse:

"Rafael, não tira toda a tristeza de mim porque é importante que eu não perca a arte que habita em mim."

"Mari, você vai ficar bem sem ela." 

"Fale por você." 

"A tristeza é boa ou ruim, Mari?" 

"Rafael, eu poderia falar contigo sobre isso por uns 20 minutos, mas serei objetiva: Ruim, ruim, mas ela me trás coisas boas. A tristeza me faz sentir a vida com mais profundidade e por mais doloroso que seja ela me permite viver uma parte da vida que talvez eu não conhecesse ainda, e por mais que doa muito, em última instância tudo que resta em mim é sentir e o pior que pode acontecer comigo é sentir."

"Pode algo realmente ruim acontecer?" 

"Por sentir tristeza?" 

"Isso. Pode algo realmente ruim acontecer?"

"O pior que pode acontecer é sentir, porque o sentir muito custa"

"Mas então, Mari, existem emoções boas e ruins?"

"Você quer que eu responda que sim, não é?"

"Não sei"

"Acho que não, mas... sim?"

"Não, Mari."

"Ah, isso não vale, eu havia acertado lá no começo"

"Não tem certo e errado."

"Rafa, posso mentir nas sessões?" 

"Você que sabe, Mari"

E sobre a dor? Deixa eu te contar: Segundo o Rafael não existem sentimentos bons e nem mesmo sentimentos ruins.
E quer saber? Ele está certo.
Os sentimentos nos fazem sentir e disso não passa, obviamente que algumas ações são consequências do que sentimos, mas isso podemos controlar, não é?

-Podemos?

-Nossas ações? Podemos, claro que podemos. 

-Nosso sentir? 

- Esse não.

- Mas podemos comer pizza para ficar feliz?

-Exato, eu disse para o Rafa, mas você quer saber sobre por que escrevo sobre a dor? Porque eu transcrevo a vida em palavras, uma pequena porção do que podemos chamar de vida e dela faz parte a dor. Um dia, um dia irei ler muito disso e entenderei, mas a dor já não mais sentirei, entende? 

-Você é muito sincera. 

- Era pra ser diferente? Escrevo sobre a dor porque eu sinto e melhor assim, não? Eu aprecio a vida em seus mais diversos aspectos: Se dor, então dor, se amor? então amor. Sinto tudo, exceto apatia, mas hoje eu vi um passarinho amarelo tomando Sol e eu apertei meus olhos para conseguir enxergar ele em meio as folhas daquela árvore que tanto amo, cheia de flores rosa, portanto, hoje, se me pedir para falar sobre a dor com profundidade eu irei te dizer que o passarinho voou e eu nem sei te dizer se foi para o Norte ou Sul, porque não sou boa com isso.

domingo, 22 de março de 2026

Relato (1) - Marco zero

Se você um dia se perguntar quando foi que iniciou-se a decadência desse blog eu vou facilitar para você: Foi bem aqui.

Por onde eu começo? Escrever faz parte de quem sou e eu escrevo de duas formas, uma delas mais artistica, polida e com muito mais qualidade e a segunda uma forma mais solta, em fluxo de pensamento onde compartilho contigo, sem rodeios, pensamentos sobre a vida em seus mais diversos aspectos.

E eu gosto das duas formas. 

Por diversas vezes, amado leitor, minhas ponderações vem cheias de espinhos e existe essa parte ácida que compõe parte de mim, mas é apenas para equilibrar o doce. Vai por mim, eu seria muito desinteressante e enjoativa se em mim existisse somente a parte doce. Portanto, sim, por vezes áspera ao tentar te chacoalhar através de 15 linhas escritas umas tantas da manhã, mas a intenção é sempre boa. 

Isso tudo aqui se encaixa na segunda forma de escrita que citei, lembra? Mais crua, mais impensada, mais natural. 

Ou você pensa que eu uso palavras como "circunspecta" "recondito" em uma mesa de jantar? 

Como eu estava dizendo essa escrita aqui é mais ... mais crua e dela gosto, mas com ela tenho certas ponderações que me fizeram, por muito tempo, me perguntar se ela aqui deveria estar. 

-Marina, você manda nisso tudo. Faz o que você quiser guria. 

E assim o fiz e decidi chamar esses textos de "relato" e agora sim, estou livre. 

Tornar esse blog um diário não foi e jamais será minha intenção, no entanto, o que é um diário, afinal? Se um diário for um lugar onde você conta acontecimentos sobre seu dia, em detalhes, então não, não é um diário, afinal, nem somos intimos assim. Isso daqui é tipo uma conversa de bar, mas eu vou ser sincera, a única vez em que fui a um bar minhas amigas e eu jogamos sinuca e eu não me lembro de nenhuma conversa parecida com o que falo por aqui. Mudando de assunto: Acho que registrei essa semana meu primeiro cabelo branco -Não sei se é realmente branco ou um fio mais claro - 

Meu Deus, já? "Amado leitor o tempo te pegou de jeito" disse eu em Fevereiro de 2019 e hoje em Março de 2026 estou te contando sobre meu primeiro fio de cabelo branco. Um brinde, agora somos dois? 

Você achava mesmo que minhas criticas eram direcionadas a você por algum tipo de maldade? Estamos no mesmo barco. Você e eu.

Serve pra você, serve pra mim e eu posso estar errada também, é possível que sim, mas a Mona Lisa discorda.

Ainda sobre as criticas feita nesse blog: É cuidado, amado leitor, cuidado e preocupação que você pela vida passe de maneira desatenta e ingrata.
É claro que você sente e já sentiu com intensidade, não pense que de ti faço pouco...
Eu só... acho a vida linda, verdade seja dita. 

Vou te contar uma coisa o presente é a constante despedida.
Você ganha um minuto novo de vida para fazer dele especial e ele logo é guardado em memória. 
Essa parte vai pesar um pouco: Eu sempre vivo como se estivesse me despedindo. Isso me dá um nó na garganta e faz meus olhos marejarem porque isso é muito intimo e falar isso em voz alta é doloroso, mas vou te falar o porque: 

O nome desse blog é discorrendo sobre a vida, certo? Acho que eu tinha 18 anos quando criei ele e eu acertei em cheio.

Esse blog é justamente sobre isso: Sobre a vida e sobre ela discorrer. Ponto. 

Sendo assim não tem como não falar sobre a morte sendo ela parte do processo, entende?
E, ah, que tema espinhoso, você não acha? 

Sabe que... Algumas culturas falam sobre a morte abertamente, eles inclusive celebram. 
Eles enxergam a morte como um recomeço e não como o fim, mas nós brasileiros -E irei falar somente de nós - independente de nossas crenças vemos a morte com muita dor, não é? E eu? Eu não sou a pessoa que será capaz de aliviar as coisas para você, mas eu serei a pessoas que irei te lembrar dos prazeres da vida, e principalmente daqueles pequenos que você ignora, mas você e eu não somos assim tão diferentes e a verdade é que esse blog sempre foi por mim e para mim.

Por mim e para mim porque a ausência de pessoas aqui, vou ser sincera, me deixa em paz. 

Então isso daqui foi uma introdução, não foi? 

Ah sim, uma introdução a decadência desse blog! Fantástico, fantástico. 
Então dessa vez eu vou chamar esse daqui de - Marco zero.

Se for mesmo um cabelo branco você pode esperar de mim uma pessoa mais sábia e culta nos próximos textos, inclusive, já exijo mais respeito: Então, senta direito quando for ler esse blog aqui.