terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Sonoridade

A melodia aguda em meus ouvidos gruda. Me pega pelas mãos e comigo dança. 
De olhos fechados e coração quente, o silêncio é preenchido pelo som que é tão oportuno que ao silêncio se une como se dele fosse parte integrante. 
Tateio o tato. Ouço o sussurar de cada nota, por vocês tão ignoradas. 
Fugaz. 
Tateio o silêncio na esperança de acariciá-lo de modo que fique, de modo que ele por mais alguns minutos me envolva em seu manto de resignação e puro deleite.
No fundo de meus ouvidos chegam as melodias que desaguam em minha alma e dela resulta o nada. 
Das cascatas do meu ser fluem pensamentos preenchidos com os sons que por mim não foram produzidos. 
Nessa contradança as batidas arritmicas do meu coração acrescentam ao voluptoso silêncio um pouco de caos arritmado de modo que, sem sobressalto, a perfeição não tenha lugar para morada. 
Com os dedos de um qualquer afundado no piano afunda a cada nova nota meu peito, chegando ao meu átrio esquerdo pelas veias cavas e cava. Cava meu amâgo e crava em sangue notas musicais. 


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