sábado, 20 de junho de 2026

Relato (7) - Para todos os ratinhos

O ato de escrever e salvar em rascunhos é um caminho praticamente sem volta. Eu disse: Praticamente, e se você não entende o que digo eu te adianto a sensação: Escreva ai meia dúzia de opiniões não tão superificais a respeito de algo, agora pense em compartillhar isso com pessoas conhecidas e o botão de apagar vai ser usado constantemente.

Acho que o mundo de forma geral anda com um baita medo e eu faço parte de quem tem medo. 
Atire uma pedra quem nunca pensou no que os outros pensariam.

E sabe quem são os outros? Você sabe, não é? 

Vou ser sincera aqui, como sempre fui: Sempre me embrulhou o estômago quando alguém iniciava um assunto sobre: 

-Você viu fulano... agora está... 

As pessoas são cruéis e há algum tempo eu decidi uma das decisões mais dificeis de minha vida: Não deixar minha vida em um rascunho e hoje penso pouquissimo no que alguém pode vir a pensar de algo e a escrita é uma grande questão, não? A escrita é muitas vezes subversiva, então para seu e meu acalento tenho duas noticias, uma ruim e uma boa: A ruim é que sempre existirão criticas sobre você, seja você quem for e como for e a boa noticia é que sempre existirão criticas sobre você, seja você quem for e como for.

Ou seja, você é livre. 

Ei, pare de fazer pouco de minha conclusão. É mais profundo do que parece. 

Somos definitivamente pequenos e um tanto quanto irrelevantes, não para quem nos criou -e obrigada Deus por me fazer assim.-

Lembro que uma vez alguém me disse que eu tocava violão e gravava para chamar atenção. O que eu vou falar agora vai soar poético, mas não é o objetivo: Toquei violão em noites quentes, dias frios e enrolava fita crepe em meus dedos que sangravam aos 15 anos. Tocaria para uma platétia, mas também tocaria em um buraco sozinha e se crime fosse eu encontraria um jeito de esconder em algum lugar meu amigo para eu poder ouvir os sons das cordas quando meu coração apertasse pela frieza do mundo. 

 É uma roda-gigante de ratos.

O de cima rindo do que está embaixo, o de baixo invejando o que está em cima e o de cima julgando o de baixo enquanto se espremem tentando manter uma "boa postura" na roda, mas veja, é uma porcaria de uma roda-gigante e, querido rato, sua postura nunca será boa o bastante, então descanse antes que a roda pare de girar.

A cabine pode até ser vista por quem está do lado de fora, mas sabe a mágica? Você manda nela. Esse cubículo, criticado, observado com altas ou baixas expectativas, com gente à espreita querendo ver você se dar mal e aqueles poucos torcendo por você... Esse cubículo na roda dos ratos é seu.

E esse texto é somente um reflexão, nada além disso. 
Eu posso falar o que penso, do jeito que penso e ainda tem meu nome aqui e se você não conseguiria fazer o que estou fazendo agora eu te digo de coração: Eu sinto muito.
A vida é "mó" curtinha e eu decidi gastar a minha sendo eu e respeito quem diferente disso faz porque sei o peso desse fardo. 

Que a vida lhes permita ser mais do que apenas sombras. Logo tudo acaba e quem foi você? 

Dance ratinho, dance. Nem quem está acima, nem quem está abaixo.

Dance ratinho, dance. Viva e não se iluda com o relógio quase batendo meia noite.
Excessos, ratinho. 
Excessos e eles são muitos, mas o tempo é escasso e o relógio vai voltar todos os dias, mas talvez não para você.

Dance, ratinho.

Você sabe quem são os outros?
Os outros são somente os outros.

Dance, ratinho. Dance. 

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