Chuva fraca. Fraca.
Não quero a intensidade da ventania da chuva forte, nem o Sol
quente me queimando, mesmo a sombra, em um dia de verão.
Chuva fraca e música lenta.
Cebola e alho picadinhos sendo preparados em uma panela brilhando.
Janela aberta, como quem não tem nada a esconder, e cortina
voando.
Cortina voando porque não é só a ventania que consegue tirar
as coisas do lugar, mas também a brisa.
Brisa que toca o rosto e afasta o cabelo do pescoço fazendo
arrepiar.
Brisa e chuva fraca.
A banalidade de uma vida comum – Não deixa o alho queimar –
A banalidade da vida comum e dos dias normais. Uma flor na
mesa. Somente uma, somente uma. Jasmim, porque o perfume do Jasmim é capaz de
inundar uma casa inteira, apenas um jasmim. Apenas um.
Apenas um dia comum.
Apenas uma noite comum sem grandes acontecimentos.
Apenas uma noite sem grandes emoções. Sem emoções.
Somente a contemplação do belo e o belo é ser comum.
O belo é desfrutar da uma música lenta sem a pressa e ansiedade
que o amanhã nos traz.
O belo é sentir a chuva sem a preocupação do cabelo que ela
desarruma.
O belo é sentir, mas não somente o sentir intenso, mas o
sentir morno, o sentir brando, o sentir banal.
Porque muito da vida acontece nesses momentos onde a comida é
preparada, a brisa sopra, a chuva cai e o coração nada sente, a mente nada
reflete, mas existe paz e calma.
Uma vida comum.Uma vida comum é extraordinária quando
saboreada por aqueles que de sabores entendem e se você disso não entende eu te digo: Não irá te fazer mal.
Agora abre a porta para ventilar.

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