segunda-feira, 28 de julho de 2025

Se eu me desensibilizar

Se talvez eu fui longe demais dessa vez, por gentileza, alguém me belisque. 

Belisca bem forte. Pode deixar meu braço roxo.

Me jogue um balde de água gelada.

Gelada.

Gelada de modo que fique dificil respirar.

Me deixe no escuro em um lugar desconhecido. No escuro absoluto. Escuro aquele maior que esse.

Se quer algo mais acessível para que me ajude – Justo, justíssimo- Algo mais fácil? Então, desarrume meu cabelo depois de eu estar pronta ou me acorde aos gritos.

Isso. Aos gritos. Pode gritar, em plenos pulmões: Isso seria horrivel. Me faria chorar de angústia.

Mais simples? Me diz que perdi a hora e que já é meio dia em uma Segunda-feira qualquer.  

Só não deixa, só, não deixa eu desensibilizar.

Quando a chuva em minha pele não me fizer mais sorrir, quando a música não me fizer mais cantar, quando acelerar não fizer mais meu coração disparar, quando lembrar não fizer mais chorar, não deixa.

Não deixa eu desensibilizar.

Me dá um susto.

Me insulta.

Faz eu sentir raiva, cólera e qualquer um desses sentimentos ruins, mas me tira do precipício da apatia.

Se eu desensibilizar, me traz de volta, custe o que custar, eu vou perdoar você depois e secar meus cabelos enquanto canto uma música qualquer. Cantando errado, mesmo sabendo Inglês e podendo cantar certo, há um prazer descomedido no poder de cantar certo e errar. Por puro deboche com a vida. Lembrar da época onde, onde eu não entendia.

Época onde eu não entendia as letras. Onde tudo para mim era um amontoado de sons, mas agora o som parou.

Eu estou pedindo coisas ruins porque as coisas boas, eu sinto muito, as coisas boas?
Não estou pronta ainda.

Dispara minhas parótidas pela intensidade de sabores. Rompe a homeostase do meu peito com seu toque. Faz minha dopamina aumentar – Só não dispara minha amígdalas – Faz vibrar meus cílios auditivos com sua voz. Queria que fosse poesia e que disso não passasse. Quem dera fosse, poesia.

Você nunca precisou entender de Biologia para fazer tudo isso e mais, mas eu não me sinto pronta para sentir novamente, mas apática não quero estar, então, por gentileza, alguém que me tire da apatia, mas não pelo amar.

Só não... não deixe eu desensibilizar.

E isso daqui é um não ao convite para aquele jantar. Um não particular. Você é gentil, mas qual seu nome mesmo? Eu juro, não é indiferença. Não tô interessada, nem em você, nem naquele e nem em nada. Minha grande questão é:

Não quero desensibilizar, mas não a todo custo.

Me deixa na minha.

Talvez por muito sentir, quebrei.

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