terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Galeria

 

Se você apertar esse texto ele escorre.

Acho que esse é o texto mais doloroso que já escrevi.

Já faz quase 9 anos que tenho esse blog e com muita coragem deixo meu coração falar através de palavras que quando separadas nada significam, mas que quando amontoadas aqui elas falam do que de mais sincero carrego em meu coração.

É preciso de muita coragem.

É preciso de coragem para viver, para sentir e ainda mais coragem para estar aqui.

Eu só escrevo porque escrever faz parte de mim e já faz um tempo que parei de me sentir grande nesse universo vasto. Sabendo o quão pequena sou e que a vida é somente um sopro o medo da exposição do que sinto se tornou secundário a minha vontade de através da arte deixar falar minha alma.

Respira.

Eu vou chamar esse texto de galeria.

Não consigo ser mais tão impessoal quanto um dia fui. Acho que cansei de falar nas entrelinhas. Hoje em dia eu falo de maneira mais objetiva e direta. Perdeu um pouco da arte e charme, confesso, mas eu só consigo ser eu e de mim não posso fugir.

Aprendi a viver e conviver comigo em minhas inúmeras fases e se hoje me tornei mais direta e menos poética eu simplesmente serei o que posso ser.

Eu estava olhando algumas fotos, nenhuma música triste tocava ao fundo.

Nenhuma.

A chuva caia lá fora e dentro de mim meu peito apertava a cada foto que eu via.

Eu sempre tive em meu olhar todas as palavras para aqueles que quisessem ler e sendo eu a dona desse olhar que escreve em pupila meus sentimentos vi em cada uma de minhas fotos tudo aquilo que não queria ler. Quão doloroso reconhecer eu tantas palavras em meu olhar.

Eu vi quando me acendeu, vi quando me trouxe quase a vida novamente e vi tamanha felicidade em meu olhar que nem mesmo os mais exímios escritores conseguiriam descrever.

A galeria tudo conta e tudo contou.

Parei de ver as fotos e tirei uma foto. Olhei e pensei: Tudo bem, independente disso, eu só não posso nadar, nadar e morrer nessa praia.

Por duas razões: A primeira é que eu nem a praia conheço, sendo assim considero uma grande injustiça morrer na praia e a segunda razão é que não seria digno de mim.

Não me superestimo, apenas me estimo o suficiente que julgo digno e honesto comigo.

Ver eu apagar dessa forma, ver a galeria mudar, ver a felicidade se esvair, o brilho nos olhos ser tomado por tristeza e um coração puro pela desconfiança e dor foi a coisa mais triste que já vi acontecer comigo. E quem me ama, vê em meus olhos. 

Mas não tem problema, por mais doloroso e triste que tudo isso seja ou pareça, veja: Só transcrevo a vida em palavras ao longo dos anos e nesse momento é simplesmente esse momento.

Esse texto é um lembrete da dor.

Um lembrete para quando eu chegar a praia viva.

Um lembrete para quando a luz voltar.

Não é sobre o brilho voltar, é sobre a vida voltar.

Mas isso é só um lembrete, um lembrete.

A intensidade em mim não diminui com o passar do tempo. Os anos não me tornam fria. Benção ou maldição? Eu não sei.

Juro que não sei, mas eu gosto de sentir, sempre gostei do sentir, mas sentir assim? Talvez tenha passado um pouquinho do limite.

Os que nos amam só podem nos amar, mas não podem dividir ou tomar para eles nossas dores. Eu nem deixaria, não deixaria que ninguém sentisse metade disso por 2 minutos.

Não poderia eu nadar e morrer na praia.

Não poderia eu permitir tamanho abandono comigo mesma.

Aprendi sobre muita coisa, posso dizer, aprendi as coisas mais dolorosas da vida dentro de um curto periodo de tempo, mas ainda desconheço o amor.

Não poderia eu nadar e morrer na praia.

Eu nem sequer sei nadar, mas se necessário for saio desse mar aos pulinhos, mesmo sem dar pé, ou até mesmo sem pé.

E Deus? Deus e os meus – Família –

Não existe nada além.

É tudo mato. 

É tudo mato. 


 

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