E, por entre esses, deixar fluir nossos mais honestos pensamentos.
O "controlar" é perder.
Assim como muita coisa da vida.
A escrita é sincera, visceral.
Ela só acontece de maneira fácil quando deixamos escorrer por entre nossos dedos partes de nós.
É impressionante o que temos aqui dentro, e revelar isso é nossa forma mais vulnerável de ser.
Nua e crua.
Eu nunca tive problemas com a verdade, mas a maneira como a escrita consegue nos despir é... é constrangedora, às vezes.
E tem temas que... Deixa, né? A gente não precisa falar de todos.
Tem temas que a gente deixa no fundo do coração, ou da gaveta.
Senta aí um pouquinho, tá com tempo?
Vamos perder um tempo juntos.
Eu só queria olhar as estrelas hoje à noite, na esperança de ver algo se mexendo no céu.
Eu já vi estrelas cadentes.
Já observei o céu por tanto tempo a ponto de me questionar se estava tudo se mexendo mesmo ou se eu estava apenas começando a imaginar/ver coisas.
Quando criança, eu ficava parada, minutos e minutos, esperando os beija-flores beberem aquele líquido doce, sabe? Naquelas botijas que simulam flores.
Eu esperava, paradinha, para pegar eles.
Pegava, olhava, beijava e soltava.
Não sei como, paciência não é minha maior virtude, mas deveríamos ser perfeitos?
Eu sei, não.
Não deveríamos.
Hoje à noite o céu não tem estrelas, e eu arrisquei procurar alguma.
O que eu arrisquei?
Me surpreender ou me decepcionar.
Isso depende, não é? Depende da expectativa que existia quando olhei para o céu.
Eu tenho esse pequeno sonho: comprar um telescópio.
Não posso alegar que quero ver o quão pequena sou nessa dimensão imensa do universo, porque, de modo geral, sei que sou pequena. Sou, mas não aqui, não dentro de mim.
Dentro de mim as coisas passam em uma frequência diferente.
Tão diferente que inventei algumas palavras para contemplar coisinhas que sinto e ainda não foram nomeadas. Neologismo, chamariam para autores consagrados. Para mim, pequenos absurdos aos quais me permito. Tô nem aí.
Literário e terapeutizada.
Mas "literário" não tem a ver com o sentido original da palavra, e sim com a adjetivação de algo bom o suficiente para ser lido.
Será que o que escrevo é literário o bastante? (Entendeu como se usa?)
Se você está aqui, devo dizer: que honra, mas que mau gosto o seu.
No entanto, cada um perde tempo como deseja.
Eu escrevendo bobagens, você lendo-as.
A gente iniciou isso daqui falando sobre escrita, não é?
Quando penso em ser lida, a linha se... se...
Exato.
Não tem como.
Não tem como escrever pensando em validação.
Escrita é alma, e o máximo que faço é controlar um tema ou outro, porque:
– Arg, lembrei.
Ando com a sensação do embaraço. Não me refiro ao espanhol onde, Deus sabe, seria bom estar embarazada, mas me refiro a... embaraço e desconforto depois de ser visceralmente honesta e verdadeira.
Isso te ocorre?
Eu já fui melhor que isso um dia. Acho que conseguia ser mais impessoal.
Mas isso daqui? Isso daqui é o que temos hoje.
Obviamente que a maturidade me trouxe amarras e, honestamente? Não ligo tanto.
Não preciso falar meia dúzia de temas que permeiam minha mente e que seriam impertinentes.
Mas na escrita a gente encontra um certo refúgio, não é?
Dizem que a inspiração vem na tristeza, e eu mesma já disse algo como "São os maus bocados que nos fazem refletir." E há verdade nisso.
Já estive tão feliz ao ponto de não conseguir me concentrar para assistir algo na TV.
Mas a vida é uma montanha-russa de sentimentos.
Um dia estamos tão absorvidos em felicidade que não conseguimos nem pensar direito, e no outro estamos...
Pega seu café aí.
...Estamos aqui.
Tendo nossas reflexões profundas — ou há quem diga: mais ou menos profundas — e eu? Eu não discordo, não.
Só quero que o circo não pegue fogo no final.
E, nesse meio-tempo, eu vou tomando nota.
Anota.

Profundo! Você escreve com a alma. Pude te ver. Se tiver tempo, leia meu blog. Pra mim será uma honra e um mau gosto seu.
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