
Acho que a vida é acima de tudo apreciação.
Apreciação de sons, toques, gostos, cores...
Afinal, o que seria de nós se não fossem esses pequenos prazeres diários?
Quando penso nisso me lembro do silêncio.
Sabe aquele silêncio absoluto? Aquele das três da manhã, quando ouvimos nossa respiração e nada mais.
Pois é, o silêncio é algo engraçado.
Ele pode acalmar e apavorar, trazer sensação de paz ou de solidão, ele pode ser vilão e... É, você já entendeu.
Hoje fechei os olhos, respirei fundo e, de repente, lá estava ele, o silêncio.
Novamente, aqui vem à graça do silêncio, porque ele aparece quando menos esperamos.
Se você acha que estou falando da ausência de sons está equivocado, é muito além disso.
Me diz quantas foram as vezes que você tentou encontra-lo e não conseguiu? Nem precisa.
Eu sei que, às vezes, a mente é muito barulhenta e o caos impera.
É difícil encontra-lo.
Ouso dizer que, às vezes, perdemos as esperanças em acha-lo.
É muito palpite mental pra uma pessoa que, por hora, só quer o silêncio, não é verdade?
É algo que nunca iremos entender.
O silêncio constrange, inclusive, é temido nos encontros românticos.
Bobagem, não acha?
Tem coisas que só podem ser ditas no silêncio e nessa hora é a vez dele, e nenhuma palavra vai conseguir dizer o que ele tão bem faz dizendo nada e tudo ao mesmo tempo.
O silêncio esclarece, pergunta, perturba, e nesse momento está sendo uma ótima companhia.
Porque ele também conforta por trazer paz e por trazer calma.
Na realidade, acho que o silêncio é aquilo que nos permite ouvir os sons externos com clareza, ou seja, nós somos nosso silêncio ou nosso caos, é como um estado de espirito, porque você pode encontra-lo até em meio a barulhos se estiver com a mente propicia a isso.
E é uma sensação tão gostosa.
Tem horas que precisamos mesmo ficar sozinhos e curtir nosso paraíso ou nosso inferno e esse nosso amigo pode trazer os dois.
Ah, é maravilhoso, não vês?
Mas sabe, todo esse silêncio me deixou confusa.
Talvez não seja nada disso.
Talvez o silêncio seja apenas silêncio e nada mais.
E eu?
Não ligo.
Porque seja lá o que for, acho que tudo aquilo que não se define, não se decifra, que não se rotula, no final, é muito mais gostoso.
Agora chega disso porque essa quietude está me trazendo uma paz danada e quero mesmo ficar curtindo isso que chamam de silêncio, independente do que seja.
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