quarta-feira, 10 de maio de 2017

Eu lírico



- O eu lirico sofre?

Foi o que me perguntaram, com uma sede e pressa sem igual.

- Eu não sei – respondi –

Abri minha sacola de referências e meia dúzia de experiências e sem pressa expliquei:

-Se sofre? O eu lírico morre, mata, corre e permanece no mesmo lugar, sem ofegar, nem mesmo sentir o peso da culpa.
Ele ri de você, de mim, de todos nós.
Faz piadas entrelinhas e se esconde em forma de personagem para ninguém o achar.
Sofre? Somente com os excessos de analises daqueles que tentam entender e analisar quando nem sabem o motivo do próprio mau humor pela manhã.
Sofre como quem deixa o café esfriar.
Se veste dele, dela ou até mesmo daquele para falar de você.
É basicamente sobre você.
Ele te julga e usa palavras como açoites para aumentar sua dor, tudo fria e milimetricamente calculado.
Se ele sofre? Me responde você.

Sofre?




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