Quando pisei nessa estradinha, nunca
imaginei que por aqui
ficaria todo esse tempo.
Ainda bem que seu Afonso me avisou das cobra, disse pra
deixar a casa sempre bem fechada. Não é que o home tava certo? Foram umas 4
só no primeiro mês, mas graças aos protetores todos ficamo bem.
O primeiro ano foi o mais difícil, eu tava grávida quando
cheguei.
Logo conheci a velha Joana e depois de dois dedo de prosa ela olho pra barriga e disse era
piá, não é que a danada certou?
Tinha quirera no almoço e no jantar, também tinha uns frango pra matar no
terreiro. Eu tinha uma dó muito grande mas era o que tinha pra come e os tadinho precisa morre.
E a coisa ficou feia de novo com meus 24 anos e meu terceiro
filho, a preocupação aumentava e diziam
que a tar da escola era importante, mas vancê sabe as dificuldade da gente, não era fácil.
Os tadinho nem roupinha tinha.
Sair do sítio foi a coisa mais triste que me aconteceu, mas
depois que começou esse negócio de cidade não teve jeito.
Quando cheguei aqui
era cada tecnologia que a gente não conhecia, você não sabe da diferença na vida da gente.
Mas veja só, hoje tudo grande e forte.
Viraram uns homem bonito, trabalhado.
Sinto falta do sitiozinho, é verdade.
Naquele tempo as coisas eram mais devagar e a gente se
curtia mais, se preocupava menos.
Eu até achei graça quando meus dente caíram e comecei enruga, a gente enruga né?
Tão engraçado.
Construí minha casinha, minha hortinha e criei tudo meus
filho.
Tão uma boniteza que só vendo.
-Cícera? Cícera? Ouviu o que eu disse?

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